Embaixadores da União Europeia (UE) supostamente não conseguiram chegar a um acordo sobre o 20º pacote de sanções contra a Rússia durante uma reunião nesta sexta-feira (20), informou a Reuters, citando fontes diplomáticas.
As medidas propostas, que Bruxelas espera finalizar até segunda-feira (23), quarto aniversário da escalada do conflito na Ucrânia, enfrentam oposição de vários Estados-membros devido a cláusulas fundamentais.
O principal impasse
O maior ponto de discórdia é a proposta de proibição total de serviços marítimos para petroleiros russos, o que eliminaria o sistema atual de teto de preços. Isso proibiria todas as empresas da UE de fornecer seguros, serviços bancários, frete ou acesso a portos para qualquer embarcação que transporte petróleo bruto russo.
Grécia e Malta, donas de poderosas indústrias marítimas, surgiram como as principais opositoras da nova restrição, segundo a Bloomberg. Os dois países alertam que um banimento unilateral da UE, sem o apoio total do G7, prejudicaria suas economias e empurraria o setor de transporte marítimo para concorrentes na Índia e na China.
Ambas as nações também se opuseram a possíveis restrições ao porto de Karimun, na Indonésia. Já a Itália e a Hungria relutam em apoiar sanções contra o porto de Kulevi, na Geórgia, enquanto Roma se juntou a Madri contestando a imposição de sanções a um dos bancos de Cuba.
Veto de Hungria e Eslováquia
Além disso, Hungria e Eslováquia colocaram uma "reserva geral" sobre todo o pacote, utilizando seu poder de veto para assegurar garantias sobre o fornecimento de petróleo russo através do oleoduto Druzhba, que está danificado e com fluxos interrompidos desde janeiro.
A Reuters informou que os diplomatas da UE podem se reunir novamente neste fim de semana para discutir as sanções antes da reunião do Conselho de Assuntos Exteriores na segunda-feira (23), onde os ministros esperam adotar formalmente o pacote.
Reações e críticas
Moscou tem denunciado repetidamente as sanções da UE como ilegítimas e contraproducentes, afirmando que elas tiveram pouco efeito na economia russa, enquanto dizimaram a europeia.
Diversas autoridades europeias também têm se oposto consistentemente às restrições. O primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, argumenta que a UE está "apenas prejudicando a si mesma" e descreveu os pacotes anteriores como algo que não trouxe "nenhum benefício aos Estados-membros".