
Alpinista austríaco é condenado por homicídio por negligência por deixar namorada para trás

O alpinista Thomas P, de 37 anos, foi considerado culpado de homicídio por negligência grave pela morte de sua namorada, Kerstin G, que morreu de hipotermia após ser deixada para trás durante uma escalada no Grossglockner –, a montanha mais alta da Áustria –, em janeiro de 2025, segundo informou o The Guardian, na sexta-feira (20).
Ele recebeu uma pena de cinco meses de prisão, com execução suspensa, e uma multa de 9,4 mil euros (cerca de R$ 57,6 mil), em um caso raro que chamou a atenção da comunidade de montanhismo e levantou debates sobre responsabilidade em esportes de alto risco.
De acordo com o processo, após um dia extenuante de escalada em frio intenso, o casal se atrasou e foi surpreendido pela noite a cerca de 50 metros do cume, quando Kerstin já estava exausta e com sinais de hipotermia.
Thomas admitiu ter deixado a namorada em uma aresta exposta a ventos fortes para buscar ajuda, mas não soube explicar por que não a envolveu na manta de emergência nem a colocou no saco de bivak que estavam na mochila dela.

Em vez de pedir auxílio imediato, ele chegou a dizer a um policial, por telefone, que "estava tudo bem", e depois não atendeu novas ligações, enquanto as condições climáticas pioravam e impediam o resgate.
A promotoria sustentou que Thomas era notoriamente mais experiente que Kerstin e, por isso, assumiu na prática o papel de líder da escalada, o que gerava um dever maior de cuidado.
Foram apontados como erros a escolha inadequada de equipamento por parte dele, a subestimação das condições climáticas, bem como a decisão de não retornar antes, mesmo diante do cansaço evidente.
Uma ex-namorada relatou que ele também já a havia deixado sozinha à noite na mesma montanha, depois que a lanterna dela falhou.
O juiz, um montanhista e socorrista de montanha, concluiu que Thomas foi negligente ao não reconhecer, muito antes do colapso de Kerstin, que ela não tinha condições de completar a rota.
Ele afirmou não ver o réu como assassino, mas sublinhou que sua experiência alpina era muito superior à da namorada e que, por ela ter se colocado sob seus cuidados, ele carregava responsabilidade pela segurança dela.
Após a condenação, Thomas pediu tempo para decidir se vai recorrer. O veredicto ainda não é definitivo, mas já é visto como um possível precedente para casos futuros envolvendo acidentes em alta montanha.
