
Primeira e segunda gravidez remodelam o cérebro de formas diferentes, mostra estudo

Um novo estudo conduzido por pesquisadores dos Países Baixos, que abrangeu 110 mulheres, mostrou que a primeira e a segunda gravidez reorganizam o cérebro de maneiras diferentes, afetando a estrutura, o funcionamento das redes neurais e o estado psíquico das mães.
Os cientistas observaram que as duas gestações reduzem partes do volume cerebral. Porém, na primeira gravidez as mudanças são mais amplas; na segunda, são mais específicas e atingem outras áreas. Pelo padrão dessas alterações, foi possível identificar com alta precisão se a mulher estava na primeira ou na segunda gestação.
Primeira gravidez: uma 'reprogramação' do cérebro

Na primeira gestação, a redução em áreas do cérebro foi cerca de 79% mais extensa do que na segunda. As regiões mais afetadas estão ligadas à percepção de si mesma, às relações sociais, ao pensamento complexo e à linguagem.
Exames mostraram também maior sincronização de atividade em áreas associadas à identidade pessoal apenas nas mulheres na primeira gravidez. Essas mudanças estiveram fortemente relacionadas a comportamentos típicos da maternidade, como o apego ao bebê e a preparação para sua chegada. Para os autores, isso indica uma reorganização profunda na forma como a mulher se percebe e se conecta com o filho.
Segunda gravidez: adaptação prática
Na segunda gestação, as alterações cerebrais ocorreram principalmente em áreas ligadas ao movimento, à resposta a estímulos e à atenção.
As participantes também apresentaram sinais de fortalecimento em uma via neural ligada ao controle motor, efeito que permaneceu até um ano após o parto. Os pesquisadores sugerem que essa adaptação pode ajudar o cérebro a lidar com uma rotina mais exigente, como cuidar de mais de um filho ao mesmo tempo.
Vínculo emocional e saúde mental
Nos dois grupos, o grau de mudança no cérebro esteve relacionado ao vínculo entre mãe e bebê. Nas mulheres na primeira gravidez, essa relação apareceu de forma mais ampla. Alterações menos intensas foram associadas a níveis mais altos de depressão e sofrimento psicológico, o que indica que essas mudanças cerebrais podem ter um efeito protetor.
Embora o estudo tenha acompanhado as participantes até um ano após o parto, os autores relacionam os resultados a pesquisas com mulheres mais velhas que apontam ligação entre número de gestações, características cerebrais mais jovens e risco de doenças neurológicas.
No conjunto, os dados sugerem que a maternidade provoca mudanças duradouras no cérebro: a primeira gravidez transforma profundamente a percepção interna, enquanto a segunda fortalece sistemas ligados à ação e à rotina prática.

