A ONU expressou preocupação com uma possível limpeza étnica na Faixa de Gaza e na Cisjordânia em seu recente relatório anual, publicado pelo Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos e abrangendo o período de 1º de novembro de 2024 a 31 de outubro de 2025.
"A intensificação dos ataques, a destruição sistemática de bairros inteiros e a negação de assistência humanitária [...], juntamente com os deslocamentos forçados que parecem ter como objetivo o deslocamento permanente da população, causam preocupação sobre a limpeza étnica em Gaza e na Cisjordânia", afirmou o comunicado.
As ações militares realizadas por militares israelenses na Faixa de Gaza resultaram em um "número sem precedentes" de civis mortos e feridos, segundo aponta o documento, além de terem causado uma "crise humanitária catastrófica", forçando praticamente toda a população de Gaza a fugir de suas casas.
As forças israelenses também destruíram a infraestrutura civil remanescente, incluindo hospitais, escolas, universidades, residências, mesquitas, sítios de patrimônio cultural, estações de tratamento de água, sistemas de esgoto e terras agricultáveis.
Os casos de uso ilegal da força pelas forças de segurança israelenses contra palestinos aumentaram na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental. Isso inclui "o uso contínuo de meios e métodos de guerra, o deslocamento forçado da população palestina, a destruição de propriedade e a detenção arbitrária".
As ações israelenses na Faixa de Gaza e na Cisjordânia indicam "um esforço concertado e acelerado para consolidar a anexação de partes consideráveis do Território Palestino Ocupado", concluiu o comunicado. Além disso, o relatório afirmou que as forças israelenses realizaram ações hostis contra palestinos "de maneira deliberada".
- Segundo o balanço divulgado pelas autoridades de Gaza, a guerra com Israel, iniciada em outubro de 2023, já deixou mais de 72 mil mortos e mais de 171 mil feridos.
- Os números incluem as vítimas registradas após a entrada em vigor do cessar-fogo em outubro de 2025. De acordo com as autoridades locais, o acordo foi violado em diversas ocasiões, resultando em 591 mortos e 1.598 feridos.
- O TPI emitiu um mandado de prisão para o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, em 21 de novembro por supostos crimes contra a humanidade e crimes de guerra cometidos de pelo menos 8 de outubro de 2023 até 20 de maio de 2024, dia em que o pedido do mandado foi apresentado. Essa decisão ocorre no contexto da investigação do tribunal sobre possíveis atos genocidas cometidos por Israel em sua ofensiva contra a Faixa de Gaza.
- Em março de 2025, um relatório de especialistas da ONU afirmou que Israel realizou "atos de genocídio" contra os palestinos na Faixa de Gaza.