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Cuba afirma ter planos e recursos para enfrentar bloqueio total dos EUA

"Cuba manterá a independência, a soberania e a capacidade de decidir seu próprio destino", destacou o representante permanente de Cuba na Organização das Nações Unidas.
Cuba afirma ter planos e recursos para enfrentar bloqueio total dos EUAGettyimages.ru / John Elk III

O representante permanente de Cuba na Organização das Nações Unidas (ONU), Ernesto Soberón Guzmán, afirmou em entrevista à mídia espanhola EFE na quinta-feira (19) que seu país está preparado caso precise enfrentar um "bloqueio total" dos EUA.

"Se eles aplicarem um bloqueio total, Cuba terá planos e recursos para enfrentá-lo. Nossa prioridade é proteger a população e garantir os serviços essenciais", declarou Soberón.

De acordo com o diplomata, o bloqueio petrolífero imposto por Donald Trump no final de janeiro é uma estratégia que visa enfraquecer Cuba, como foi feito na década de 1960, com o objetivo de gerar descontentamento social. O diplomata enfatizou que, "na mentalidade do cubano, não existe a palavra rendição, não existe a palavra colapso, não existe a palavra traição".

"Cuba manterá a independência, a soberania e a capacidade de decidir seu próprio destino", destacou.

"Situações semelhantes"

Embora tenha reconhecido que o recente bloqueio já afeta "a reorganização dos itinerários das companhias aéreas" e complica "a logística interna", e que sem combustível a situação no país "obviamente piora", Soberón lembrou que a ilha "já enfrentou situações semelhantes no passado".

"Cada momento tem suas peculiaridades, mas Cuba vinha se preparando para esse tipo de situação", afirmou.

Soberón deixou claro que Washington não conseguiu derrotar a ilha. "Em 67 anos, eles não alcançaram seus objetivos, e posso garantir que a mentalidade dos cubanos não permite que eles os alcancem", comentou.

Ameaças de Trump 

As declarações ocorrem após medidas anunciadas pela Casa Branca no fim de janeiro. Em 29 de janeiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que declarou "emergência nacional" diante da suposta "ameaça incomum e extraordinária" que, segundo Washington, Cuba representaria para a segurança norte-americana e para a região.

Com base nessa decisão, foi anunciada a imposição de tarifas a países que vendam petróleo à nação caribenha, além de advertências de represálias contra aqueles que atuem em desacordo com a ordem executiva.

Posteriormente, o Trump reconheceu que sua Administração mantinha contatos com Havana e afirmou que pretende chegar a um acordo, embora tenha classificado o país como "nação em decadência" que "já não conta com a Venezuela" para se sustentar.

As declarações ocorrem em meio ao bloqueio econômico e comercial mantido pelos Estados Unidos contra Cuba há mais de seis décadas. O embargo, que atinge a economia da ilha, foi reforçado com novas medidas coercitivas e unilaterais por parte da Casa Branca.

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canelreagiu às acusações. "Cuba é uma nação livre, independente e soberana. Ninguém nos dita o que fazer. Cuba não agride, é agredida pelos EUA há 66 anos, e não ameaça, se prepara, disposta a defender a pátria até a última gota de sangue", declarou.

Havana tem rejeitado de forma sistemática o que considera acusações infundadas por parte de Washington e advertiu que defenderá sua integridade territorial diante de qualquer pressão externa.