O governo dos EUA decidiu prorrogar por mais um ano as sanções impostas à Venezuela, argumentando que as condições prevalecentes no país latino-americano continuam "representando uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional e à política externa" de Washington, de acordo com um aviso publicado na quinta-feira (19) no Federal Register.
A medida dá continuidade à Ordem Executiva 13.692 assinada em 8 de março de 2015 pelo então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que declarou emergência nacional com base em uma suposta crise na Venezuela, criando, desta forma, as bases legais para a imposição de severas restrições econômicas e financeiras nos anos seguintes contra a nação caribenha.
De acordo com a Casa Branca, os razões que motivaram a decisão incluem a suposta "erosão das garantias dos direitos humanos [...], perseguição de opositores políticos, restrição das liberdades de imprensa, uso da violência e as violações e abusos dos direitos humanos em resposta aos protestos contra o governo e a prisão e detenção arbitrária de manifestantes, bem como a corrupção estatal desenfreada", acusações que têm sido consistentemente refutadas pelas autoridades venezuelanas.
Jogando em ambos os lados
Na prática, isso significa que o esquema geral de medidas coercitivas unilaterais permanece intacto, com exceção das licenças emitidas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros dos EUA (OFAC, na sigla em inglês).
Essas autorizações permitem operações restritas no ramo do petróleo na Venezuela por empresas americanas, o que vai de encontro aos interesses do presidente Donald Trump.
Em 13 de fevereiro, o OFAC emitiu novas licenças que possibilitam o retorno de cinco gigantes petrolíferas ao território venezuelano dois dias depois que o secretário de energia dos EUA, Christopher Wright, visitou oficialmente o país. Wright previu que a produção de petróleo na Venezuela passará por um "crescimento significativo" – que ele estimou entre 30% e 40% – este ano, após a concretização do que chamou de uma mudança nas "regras do jogo" que a Casa Branca impôs até agora, em alusão ao bloqueio econômico dos Estados Unidos.
A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou que o objetivo do encontro com Wright era "estabelecer uma parceria produtiva de longo prazo que permita [o desenvolvimento de] uma agenda energética que se torne o motor da relação bilateral". Rodríguez afirmou que uma das metas estabelecidas por seu governo é reintroduzir a nação latino-americana, que possui as maiores reservas de petróleo do planeta, no grupo dos grandes produtores desse hidrocarboneto, para o que será necessário atrair investimentos estrangeiros.