
O limite do corpo humano: como o crânio se adapta (ou sofre) no espaço

Pesquisadores da Universidade da Flórida mostraram em um artigo publicado em 11 de fevereiro pela The Conversation que estadias prolongadas em microgravidade podem modificar fisicamente a posição do cérebro dentro do crânio dos astronautas.
No estudo publicado na revista PNAS, os especialistas analisaram as ressonâncias magnéticas cerebrais de 26 astronautas que foram realizadas antes e depois de suas missões na Estação Espacial Internacional (EEI) com a finalidade de determinar o deslocamento do cérebro dentro do crânio.
Mudanças no cérebro
Ao comparar as imagens antes e depois das missões, os pesquisadores observaram que o cérebro dos astronautas se deslocava para cima e para trás. Da mesma forma, ao examinar mais de 100 regiões cerebrais separadamente, descobriram que as áreas relacionadas ao movimento e à sensibilidade apresentaram os maiores deslocamentos.
Por outro lado, algumas áreas próximas à parte superior do cérebro de astronautas que passaram cerca de um ano na EEI se deslocaram para cima mais de 2 milímetros, enquanto o resto do cérebro mal se moveu. Embora a magnitude dessas mudanças possa parecer pequena, os especialistas destacaram que, dentro do espaço limitado dentro do crânio, tais mudanças são significativas.
Os resultados também mostram que muitos desses deslocamentos tendem a retornar parcialmente às suas posições originais após vários meses de volta à Terra, embora alguns efeitos possam persistir por mais tempo.

Por que isso ocorre?
A microgravidade redistribui os fluidos corporais em direção à cabeça, altera a pressão interna e deixa o cérebro praticamente flutuando dentro do crânio. Segundo os especialistas, o deslocamento cerebral não é uniforme, já que ele se comprime na parte superior e posterior enquanto que outras zonas se expandem, afetando o equilíbrio e a coordenação. Os astronautas que apresentaram os maiores deslocamentos foram os que tiveram mais dificuldade para se manterem de pé ao retornarem à Terra.
Com novas missões espaciais à vista, incluindo viagens tripuladas à Lua da missão Artemis da NASA, os pesquisadores reforçam a importância de continuar avaliando os riscos da microgravidade no cérebro humano e de desenvolver contramedidas adequadas.
