O ator e diretor brasileiro Wagner Moura concedeu nesta quarta-feira (18) uma entrevista ao jornal espanhol El País sobre o filme "O Agente Secreto" e a situação política nos EUA e no Brasil. Ao longo da conversa, ele também admitiu que teme encontrar agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE, na sigla em inglês).
Moura, que atualmente reside em Los Angeles, na Califórnia, disse que estão "atravessando um momento muito difícil". "Até eu tenho medo de dar de cara com o ICE. Digo isso porque acabo reagindo de maneira explosiva quando me deparo com injustiça e autoritarismo", contou. "E agora não sei se conseguiria (me conter), porque aqueles desgraçados podem matar, como vimos".
Ele também relatou situações que presenciou com outros imigrantes nos EUA. "Conheço muitos latinos que estão se escondendo em casa, sem levar os filhos para a escola. Estamos vivendo tempos muito tristes", lamentou.
Paralelos entre Brasil e EUA
O indicado ao Oscar disse que a situação dos EUA atualmente é muito parecida tanto com a do Brasil durante o governo Bolsonaro quanto com a de outro filme que protagonizou, "Guerra Civil".
"É curioso como os mesmos padrões que ocorreram no Brasil estão se repetindo. Por exemplo, a demonização de atores, artistas, jornalistas e universidades. A extrema-direita no Brasil foi muito eficaz em transformar artistas brasileiros em inimigos do povo", contou.
Moura também responsabilizou as redes sociais pela situação atual. Disse que "éramos muito ingênuos" no Brasil 10 anos atrás, porque pensávamos que as redes sociais poderiam ser ferramentas de "conexão, mobilização e democratização da informação". "Hoje, a aliança entre oligarcas da tecnologia e a extrema direita é evidente. De certa forma, nós, progressistas, perdemos a batalha das redes sociais", afirmou.
Quando perguntado se ainda há esperança, Wagner Moura respondeu que sim. "Ela se chama solidariedade".