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Brasileiros na Ucrânia são investigados por tortura e assassinato de compatriotas

Grupo comandado por brasileiros é acusado de implantar sistema de punições brutais e tribunal paralelo em unidade militar; Itamaraty acompanha o caso.
Brasileiros na Ucrânia são investigados por tortura e assassinato de compatriotasAnadolu

Um grupo de brasileiros está sendo acusado de assassinato e tortura enquanto atuavam como mercenários na Ucrânia, conforme revelou o SBT News na última quarta-feira (18).

A unidade, chamada Advanced, era composta por mercenários estrangeiros e comandada por brasileiros. Segundo a reportagem, o grupo mantinha práticas já conhecidas por compatriotas que atuam no país.

O foco das investigações é a morte de Bruno Gabriel Leal da Silva, um pernambucano de 28 anos cujo corpo foi encontrado em Kiev no final de 2025 com sinais de violência. Antes do ocorrido, Bruno já havia denunciado maus-tratos à Embaixada brasileira.

Testemunhas anônimas relatam que ele teria morrido após uma sessão de espancamento punitiva por ter retornado à base bêbado. Após o óbito, houve uma tentativa de mascarar a causa da morte, alegando infarto por mistura de remédios e álcool, versão contestada pelos hematomas visíveis no corpo.

"Depois que estive preso, me tiraram do quarto onde eu estava e me levaram para um contêiner, onde me espancaram. Quebraram quatro costelas, levei muitos golpes nas costas, recebi chutes. Depois me amarraram pelos pés e pelas mãos, me batiam nas pernas, me batiam nas costelas", contou uma das testemunhas ouvidas pelo SBT News.

O principal nome citado nas denúncias é Leanderson Paulino, comandante da unidade. Embora ele não estivesse presente no dia da morte de Bruno, testemunhas afirmam que ele participava pessoalmente de outras sessões de tortura.

Relatos descrevem métodos cruéis, como manter soldados amarrados na neve sob baldes de água fria e o uso de armas de fogo para intimidar os subordinados.

A unidade operava como um tribunal paralelo, aplicando penas brutais sem investigação oficial. Em um dos casos relatados, um brasileiro acusado de crime foi submetido a choques elétricos, asfixia e chicotadas com brasa. Além da violência física, há denúncias de extorsão, nas quais comandantes obrigavam os soldados a transferir todo o dinheiro de suas contas sob ameaça.

"Deixa eu deixar bem claro: se vazar meu nome, qualquer coisa que acontecer é risco para a minha vida e para a minha família no Brasil. Se isso vazar, é risco. Eu já vi relatos aqui. Eu vi com meus próprios olhos pessoas que tiveram problemas com esses caras, e eles pegaram, sequestraram e torturaram. Inclusive a família no Brasil", relatou outra testemunha antes da entrevista.

O regime de Kiev, por meio da Ouvidoria Militar e do Serviço de Inteligência, confirmou a abertura de um procedimento criminal para apurar a morte de Bruno e as atividades da Advanced.

  • Brasileiros que se alistaram para combater ao lado das forças ucranianas relataram ao programa Fantástico, da Rede Globo, que foram atraídos por promessas de altos salários e acabaram enfrentando bombardeios, falta de treinamento, escassez de alimentos, violência, além de tortura contra quem tenta deixar o front.

  • À RT, o Itamaraty confirmou que 22 brasileiros morreram lutando contra a Rússia, enquanto 44 estão desaparecidos; os que retornaram relatam traumas psicológicos.