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Situação humanitária no Sudão do Sul se agrava, alerta ONU

Relatório das Nações Unidas menciona relatos de ataques contra população civil, epidemia de cólera, violência sexual contra mulheres e recrutamento de adolescentes por grupos armados.
Situação humanitária no Sudão do Sul se agrava, alerta ONUX / @unicefssudan

A situação humanitária no Estado de Jonglei, no Sudão do Sul, se deteriorou rapidamente nas últimas semanas, com novos confrontos entre as Forças de Defesa do Povo do Sudão do Sul (SSPDF) e o Movimento Popular de Libertação do Sudão na Oposição (MPLS-O). Há relatos de bombardeios contra áreas residenciais, como em Phom Payam, no condado de Fangak, em 14 de fevereiro, segundo o relatório do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (ENUCAH) divulgado na terça-feira (17). 

Desde o fim de dezembro de 2025, pelo menos 16 unidades de saúde foram atacadas ou saqueadas, a maioria em Jonglei. As investidas restringiram o acesso a cuidados essenciais em meio a uma prolongada epidemia de cólera, que já soma mais de 98 mil casos e 1,6 mil mortes desde 2024.

Embora o comando da SSPDF tenha autorizado a retomada do envio de agentes humanitários para áreas antes restritas, organizações apontam como decisiva a aplicação consistente dessa medida para levar assistência às comunidades mais afetadas.

Informações preliminares sobre a situação nos condados Duk e Twic Oriental apontam para um alto risco de problemas humanitários graves, como violência sexual contra mulheres relacionada a regiões de conflito, recrutamento de adolescentes por grupos armados e aumento do número de crianças separadas de suas famílias.

Autoridades estimam que quase 280 mil pessoas tenham sido deslocadas em oito condados de Jonglei, com fluxos migratórios se dirigindo para o Alto Nilo e Lagos, enquanto Akobo recebe dezenas de milhares de novos refugiados em condições precárias de abrigo.