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Vulnerabilidade social afeta estatura de crianças indígenas no Nordeste

Estudo com dados de 6 milhões de crianças aponta diferença de crescimento entre indígenas de até 9 anos e revela que 30% do público infantil no país tem ou pode ter sobrepeso.
Vulnerabilidade social afeta estatura de crianças indígenas no NordesteGettyimages.ru / Andressa Anholete

Uma pesquisa com participação de especialistas do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde da Fundação Oswaldo Cruz da Bahia, o Cidacs Fiocruz Bahia, indica que a vulnerabilidade social está associada à menor estatura média de crianças indígenas de até 9 anos em estados do Nordeste.

A informação foi divulgada em reportagem da Agência Brasil nesta quinta-feira (19). O estudo analisou dados de 6 milhões de crianças brasileiras registradas no Cadastro Único para Programas Sociais, o CadÚnico, no Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos, o Sinasc, e no Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional, o Sisvan.

Segundo os pesquisadores, fatores como dificuldades no acesso à atenção à saúde, alimentação, maior risco de doenças, condições ambientais e baixo nível socioeconômico estão entre os elementos que influenciam o desenvolvimento infantil.

A análise aponta que, quando comparadas a crianças da mesma faixa etária em outras regiões do país, as indígenas de alguns estados nordestinos apresentam estatura média inferior.

O estudo utilizou como base o padrão de peso e altura estabelecido pela Organização Mundial da Saúde para crianças dessa faixa etária, com base em curvas de crescimento que avaliam o desenvolvimento saudável.

Dentro desse parâmetro, o peso médio para meninos varia entre 23,2 quilos e 33,8 quilos, com altura entre 1,24 metro e 1,36 metro. Para meninas, o peso deve ficar entre 23 quilos e 33 quilos, e a altura entre 1,23 metro e 1,35 metro.

O pesquisador do Cidacs Fiocruz Bahia, Gustavo Velasquez, ressaltou que os resultados não significam que todas as crianças do grupo analisado tenham baixa estatura, mas que há um percentual que diverge da média.

"Todos os dados são seguros e altamente anonimizados", disse Velasquez à Agência Brasil. "Não há identificação das pessoas que estão lá. São dados administrativos que se usam para pesquisas em saúde".

Sobrepeso

Além das diferenças de crescimento, o levantamento mostra que 30% das crianças brasileiras têm ou correm risco de sobrepeso. O dado indica que mesmo crianças em situação de vulnerabilidade alimentar estão expostas ao excesso de peso.

Sobre esse ponto, o pesquisador afirmou que não há indicação de subnutrição generalizada. "Pode-se dizer que, em termos de peso, não há problema de subnutrição", explicou. "Ao contrário, algumas populações, como as do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, têm uma prevalência de sobrepeso bastante alta".

Ele também alertou para o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados. "Nós temos uma invasão agora de alimentos ultraprocessados, que são considerados como um dos grandes determinantes do aumento de peso, não somente nas crianças, mas em todas as populações", afirmou.