A indústria ferroviária brasileira deve passar por um ciclo de expansão no ano de 2026, impulsionado por investimentos de empresas chinesas do setor, como a CRRC Corporation Limited e a Kangni. As informações foram divulgadas em reportagem do jornal Gazeta do Povo publicada na terça-feira (17).
A Kangni é especializada no desenvolvimento de sistemas de portas para vagões de metrôs e trens, além de componentes para veículos de energia limpa. Já a CRRC é fabricante de trens e material rodante ferroviário. As duas empresas firmaram parceria no município de Araraquara com o objetivo de integrar a cadeia produtiva ferroviária já instalada na cidade.
Também em Araraquara, onde está presente desde julho do ano passado, a CRRC iniciou contratações para uma fábrica destinada ao fornecimento de trens ao metrô da capital paulista. Segundo a reportagem, "o empreendimento conta com investimento inicial de cerca de R$ 50 milhões e projeta a geração de 100 empregos, com produção que atenderá as linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha do metrô".
Para o especialista em sistemas ferroviários e analista de negócios Sérgio Torggler, do Centro Universitário Moura Lacerda, o mercado brasileiro representa grande potencial para empresas chinesas que buscam expandir suas operações diante da redução do ritmo de grandes projetos na China e da necessidade de evitar capacidade industrial ociosa.
"A vinda de grandes indústrias chinesas ao Brasil trata-se de um mecanismo de conquistar apoio político para projetos ferroviários com material deles. Eles têm uma grande capacidade industrial com ociosidade. O boom de grandes projetos na China está passando. Eles têm duas opções: diminuir capacidade produtiva ou expandir exportações. O Brasil entra na segunda opção", explicou Torggler, citado pelo jornal.
O movimento converge com a estratégia do programa SP nos Trilhos, lançado na gestão do governador Tarcísio de Freitas. A iniciativa contempla investimentos estimados em mais de R$ 190 bilhões e engloba dezenas de empreendimentos voltados à ampliação da malha de trens metropolitanos e à implantação de serviços ferroviários intercidades.
Os aportes estrangeiros, no entanto, acenderam sinal de alerta na Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer). Para a entidade, o Brasil deveria priorizar e fortalecer sua própria indústria ferroviária, que, segundo a instituição, "mantém histórico sólido de qualidade, inovação e capacidade produtiva".