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Setor ferroviário brasileiro deve registrar forte expansão em 2026, com avanço de gigantes chinesas

Investimentos da CRRC e da Kangni em Araraquara reforçam presença industrial da China no Brasil, conforme divulgado em reportagem da Gazeta do Povo.
Setor ferroviário brasileiro deve registrar forte expansão em 2026, com avanço de gigantes chinesasLegion-media.ru / Alf Ribeiro

A indústria ferroviária brasileira deve passar por um ciclo de expansão no ano de 2026, impulsionado por investimentos de empresas chinesas do setor, como a CRRC Corporation Limited e a Kangni. As informações foram divulgadas em reportagem do jornal Gazeta do Povo publicada na terça-feira (17).

A Kangni é especializada no desenvolvimento de sistemas de portas para vagões de metrôs e trens, além de componentes para veículos de energia limpa. Já a CRRC é fabricante de trens e material rodante ferroviário. As duas empresas firmaram parceria no município de Araraquara com o objetivo de integrar a cadeia produtiva ferroviária já instalada na cidade.

Também em Araraquara, onde está presente desde julho do ano passado, a CRRC iniciou contratações para uma fábrica destinada ao fornecimento de trens ao metrô da capital paulista. Segundo a reportagem, "o empreendimento conta com investimento inicial de cerca de R$ 50 milhões e projeta a geração de 100 empregos, com produção que atenderá as linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha do metrô".

Para o especialista em sistemas ferroviários e analista de negócios Sérgio Torggler, do Centro Universitário Moura Lacerda, o mercado brasileiro representa grande potencial para empresas chinesas que buscam expandir suas operações diante da redução do ritmo de grandes projetos na China e da necessidade de evitar capacidade industrial ociosa.

"A vinda de grandes indústrias chinesas ao Brasil trata-se de um mecanismo de conquistar apoio político para projetos ferroviários com material deles. Eles têm uma grande capacidade industrial com ociosidade. O boom de grandes projetos na China está passando. Eles têm duas opções: diminuir capacidade produtiva ou expandir exportações. O Brasil entra na segunda opção", explicou Torggler, citado pelo jornal.

O movimento converge com a estratégia do programa SP nos Trilhos, lançado na gestão do governador Tarcísio de Freitas. A iniciativa contempla investimentos estimados em mais de R$ 190 bilhões e engloba dezenas de empreendimentos voltados à ampliação da malha de trens metropolitanos e à implantação de serviços ferroviários intercidades.

Os aportes estrangeiros, no entanto, acenderam sinal de alerta na Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer). Para a entidade, o Brasil deveria priorizar e fortalecer sua própria indústria ferroviária, que, segundo a instituição, "mantém histórico sólido de qualidade, inovação e capacidade produtiva".