Notícias

Europa usa 'métodos desonestos' contra o Irã, afirma Lavrov

"Não é por acaso que os representantes oficiais iranianos se recusam a dialogar com os europeus e preferem estabelecer um diálogo direto com os EUA", destacou o ministro das Relações Exteriores russo.
Europa usa 'métodos desonestos' contra o Irã, afirma LavrovGettyimages.ru / Morteza Nikoubazl

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, denunciou em entrevista à Al Arabiya na quarta-feira (18) o que classificou como "práticas de má-fé" dos países europeus na gestão do programa nuclear iraniano.

O chanceler lembrou que Teerã reiterou em várias ocasiões sua adesão ao Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, que considera "de cumprimento obrigatório".

Ele ressaltou ainda que, após a assinatura do Plano de Ação Conjunta Global (JCPOA), a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) exerceu um controle "sem precedentes" sobre o programa nuclear iraniano.

"O Irã nunca foi flagrado violando o Tratado de Não Proliferação nem seu acordo de garantias com a AIEA", afirmou.

"A Europa culpa o Irã por tudo"

O chefe da diplomacia russa observou que "todos os riscos começaram a aparecer e toda a tensão política começou a surgir depois que, em 2018, os Estados Unidos se retiraram do acordo, quando ele já estava em vigor há três anos".

"E os europeus, seguindo sua tradição, em vez de se esforçarem para restabelecer a integridade desse documento de extrema importância, começaram a culpar o Irã por tudo e continuam fazendo isso até hoje", criticou.

Como consequência, disse ele, "não é por acaso que os representantes oficiais iranianos se recusam a falar com os europeus e preferem estabelecer um diálogo direto com os Estados Unidos".

"Como se o Irã estivesse violando alguma coisa"

Lavrov lembrou que todas as restrições impostas ao Irã antes da adoção do JCPOA expiraram em novembro de 2025.

"Os europeus, por meio de métodos enganosos, tentam apresentar as coisas como se as sanções contra o Irã, que foram impostas antes do JCPOA, tivessem voltado a entrar em vigor. Ao mesmo tempo, ignoram o fato de que foram os Estados Unidos que fizeram o acordo fracassar há nove anos", afirmou.

"Ao mesmo tempo, ignoram o fato de que o acordo foi dinamitado pelos EUA há nove anos. Estamos preocupados com o fato de que a Secretaria da ONU esteja tentando apoiá-los nisso", acrescentou.

Lavrov deu as declarações no contexto de uma nova rodada de conversações indiretas entre o Irã e os EUA, na terça-feira (17) na cidade suíça de Genebra, com a mediação de Omã.

O encontro anterior foi realizado em 6 de fevereiro na capital omanense, Mascate, e foi o primeiro após vários meses de pausa, motivada pela escalada do conflito iraniano-israelense em junho de 2025.

  • O Plano de Ação Conjunta Global (JCPOA) foi assinado em 14 de julho de 2015 pelo Irã e pelos mediadores internacionais do Grupo 5+1 (Reino Unido, China, França, Rússia, EUA e Alemanha). Em troca do compromisso de Teerã de não desenvolver nem adquirir armas nucleares, a União Europeia e Washington concordaram em suspender as sanções internacionais contra o país persa.
  • Em 8 de maio de 2018, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a retirada unilateral dos EUA do acordo.