O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, afirmou na quarta-feira (18) que o principal obstáculo para a resolução do conflito armado na Ucrânia é "o regime que se instaurou em Kiev" após o golpe de Estado de 2014 e a tomada do poder.
Os eventos de 2014 foram acompanhados por "declarações daquelas regiões da Ucrânia como a Crimeia e Donbass, que se recusaram a reconhecer o golpe", observou Lavrov em entrevista ao canal de televisão do Catar Al Arabiya. "Essas regiões foram declaradas terroristas, (e os ucranianos) iniciaram uma guerra contra elas usando o exército", lembrou.
Embora o conflito tenha sido efetivamente interrompido graças aos Acordos de Minsk, mediados pela União Europeia, "mais tarde ficou evidente que a Alemanha e a França não tinham intenção de implementá-los e estavam apenas a atrasar o processo", acrescentou Lavrov.
Agora, enquanto a Europa exige o seu lugar nas negociações de paz, o ministro das Relações Exteriores russo questiona: "O que podemos discutir com os europeus quando eles afirmam categoricamente que a Ucrânia defende os valores europeus? É como ir a um juiz num tribunal internacional e dizer: 'Sabe, a União Europeia é uma organização nazi'. Ninguém na Europa moverá um dedo para obrigar Kiev a revogar as leis que proíbem a língua russa em todas as esferas e que proibiram a Igreja Ortodoxa canônica", afirmou.
"Isto não acontece em nenhum outro lugar do mundo. Nos países árabes, na Palestina, o hebraico não é proibido. Em Israel, o árabe é usado. Mas na Ucrânia, é permitido [proibir a língua russa]. A Europa expôs a sua essência nazi, que pensávamos ter sido erradicada com a derrota de Hitler na Segunda Guerra Mundial. Mas provou ser bastante resiliente. Não vejo que papel a Europa possa desempenhar", concluiu.