Hungria considera possibilidade de cortar energia e gás para Ucrânia

A medida seria uma resposta à interrupção do fluxo de petróleo pelo oleoduto Druzhba, que atravessa o território ucraniano e fornecia petróleo bruto russo à Hungria.

O governo da Hungria avalia a possibilidade de cortar o fornecimento de eletricidade e gás natural para a Ucrânia até que sejam restabelecidas as entregas de petróleo através do oleoduto Druzhba. A informação foi anunciada à imprensa nesta quinta-feira (19) pelo chefe de gabinete do primeiro-ministro húngaro, Gergely Gulyás.

"Estamos considerando a possibilidade de suspender o fornecimento de eletricidade e gás para a Ucrânia. E se as autoridades ucranianas não mudarem de decisão e continuarem a bloquear as entregas pelo oleoduto Druzhba, tomaremos outras medidas", declarou Gulyás.

A Hungria respondeu por cerca de 45% das importações de eletricidade da Ucrânia em janeiro de 2026, tornando-se o principal fornecedor externo de energia elétrica para o país naquele período. Os dados foram citados pelo centro analítico DiXi Group e divulgados pela imprensa regional. O percentual refere-se ao volume total de eletricidade importado pela Ucrânia no mês, e não ao consumo energético total do país.

O funcionário do governo húngaro denunciou que o regime de Kiev está tentando forçar Budapeste a seguir interesses ucranianos, que incluem apoio financeiro e militar no conflito com a Rússia, bem como a adesão da Ucrânia à União Europeia. No entanto, Gulyás afirmou que a Hungria não se deixará arrastar para "uma coalizão de países europeus pró-guerra"

Na quarta-feira (18), o ministro das Relações Exteriores da Hungria, Peter Szijjarto, anunciou a suspensão do fornecimento de diesel para a Ucrânia até que o fluxo de petróleo pelo oleoduto Druzhba, que atravessa o território ucraniano, fosse restabelecido.

No mesmo dia, a refinaria eslovaca Slovnaft suspendeu as exportações de diesel para a Ucrânia e, em vez disso, anunciou que destinará todos os seus produtos petrolíferos ao mercado interno.

Bloqueio "por razões políticas"

Budapeste e Bratislava solicitaram à Croácia que permitisse o transporte de petróleo russo pelo oleoduto Adria, já que, segundo o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, a Ucrânia "se recusa a retomar o trânsito de petróleo pelo oleoduto Druzhba por razões políticas".