Primeiro-ministro da Eslováquia acusa Zelensky de 'chantagear' o país

Fico afirma que bloqueio em oleoduto é pressão política de Kiev, e pede missão da UE para investigar situação.

O primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, acusou o líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, de usar o trânsito de petróleo como instrumento de pressão política sobre seu país. A declaração foi feita em uma postagem na rede social X, na quarta-feira (18).

"Se Zelensky pensa que chantagear a Eslováquia com petróleo aproximará a Ucrânia da UE, ele está redondamente enganado", escreveu Fico ao denunciar a interrupção do abastecimento à refinaria Slovnaft no ponto de trânsito de Brody do oleoduto Druzhba, no oeste da Ucrânia.

Kiev se recusa a dar detalhes sobre os supostos danos nessa instalação, afirmou Fico, enquanto os serviços de inteligência eslovacos indicam que o trecho "foi reparado e está tecnicamente preparado" para retomar o transporte de petróleo.

O premiê anunciou que o embaixador eslovaco em Kiev apresentou uma nota oficial de protesto e que Bratislava solicitará à Comissão Europeia o envio de uma missão de monitoramento a Brody para verificar a situação no local.

"Decisão política"

O primeiro-ministro eslovaco advertiu que, se for confirmado que se trata de uma "chantagem política, como ocorreu com o gás", a Eslováquia "perderá" interesse em apoiar o regime de Kiev. O primeiro-ministro lembrou, além disso, que seu país fornece "entregas seguras" de eletricidade à Ucrânia e advertiu que, se Zelensky considerar que isso não tem valor, Bratislava poderia "decidir retirar-se dessa cooperação".

As reclamações de Fico somam-se às da Hungria. O ministro das Relações Exteriores húngaro, Peter Szijjarto, classificou como "decisão política" a suspensão do fluxo de petróleo pelo oleoduto desde 27 de janeiro e acusou Kiev de "chantagem política" para que Budapeste apoie a guerra e renuncie ao uso de energia russa barata.

"Existem todas as condições técnicas, físicas e tecnológicas para que o fornecimento seja retomado", afirmou, alegando que o objetivo de Kiev é que a Hungria aceite tarifas mais altas e destine o dinheiro de seus contribuintes à Ucrânia.