Ex-chefe da Victoria's Secret no centro dos escândalos sobre os arquivos Epstein

Segundo o congressista americano Robert García, a ilha de Epstein e o dinheiro para o tráfico de mulheres não teriam existido sem o apoio de Les Wexner.

O congressista democrata Robert Garcia, da Califórnia, afirmou na quarta-feira (18) que o apoio do empresário e ex-CEO da Victoria's Secret, Les Wexner, foi fundamental para o crescimento da fortuna criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein, morto em 2019.

"Precisamos deixar bem claro que não haveria Ilha Epstein, nem avião Epstein, nem dinheiro para o tráfico de mulheres e meninas; o Sr. Epstein não teria se tornado o homem rico que foi sem o apoio de Les Wexner", declarou Garcia na quarta-feira, durante um recesso no depoimento de Wexner perante o Comitê de Supervisão da Câmara.

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Ele também indicou que o empresário americano admitiu que Epstein tinha acesso a uma grande parte de sua fortuna, especificamente mais de US$ 1 bilhão, e que ele havia viajado para as duas ilhas do pedófilo, bem como para suas outras propriedades. "Não há ninguém que tenha se envolvido mais em prover para Jeffrey Epstein", comentou García.

Um "golpista" e "mestre da manipulação"

Enquanto isso, Wexner testemunhou perante o Congresso que não tinha nenhum relacionamento social com Epstein, alegando que nunca teve conhecimento ou envolvimento em qualquer atividade criminosa.

"Fui ingênuo, tolo e crédulo ao confiar em Jeffrey Epstein", declarou. Ele também descreveu o criminoso sexual condenado como um "golpista" e "mestre da manipulação" que "vivia uma vida dupla".

"Mais uma vez, para que fique claro, eu nunca vi ou ouvi falar de Epstein na companhia de um menor de idade", concluiu.

De acordo com o lote de arquivos do caso Epstein divulgado recentemente, o criminoso sexual comprou de Wexner sua mansão em Nova York.

O FBI obteve essa informação em 2019 graças a Richard Adrian, ex-guarda-costas do empresário.

"Todo o dinheiro de Epstein veio de Wexner"

"Adrian também afirmou que todo o dinheiro de Epstein veio de Wexner e que, em 1993, Wexner vendeu sua mansão em Nova York para Epstein por US$ 20", afirma o documento desclassificado.

Trata-se de uma casa geminada no Upper East Side de Manhattan. A residência de sete andares e 2.900 metros quadrados, com 40 cômodos, era uma das maiores casas particulares da cidade.

Várias vítimas de Epstein testemunharam que a mansão estava equipada com uma rede de câmeras escondidas. A sala de massagem continha pinturas de mulheres nuas, uma grande bola de prata presa a uma corrente e prateleiras cheias de lubrificante.

A mansão foi finalmente vendida em março de 2021 por US$ 51 milhões para Michael Duffey, ex-chefe de banco de investimentos do Goldman Sachs. Uma quantia ligeiramente menor dessa venda foi transferida para o fundo de compensação para as vítimas.