EUA planejam criar portal que permitirá a europeus visualizarem conteúdos censurados pelo governo - Reuters

Segundo o Departamento de Estado, o governo dos EUA não possui um programa específico para burlar a censura na Europa, mas a liberdade digital é uma prioridade para Washington.

O Departamento de Estado dos EUA está desenvolvendo um portal que permitirá que pessoas na Europa e em outros países visualizem conteúdos bloqueados por seus governos, informou a Reuters na quarta-feira (18), citando fontes familiarizadas com o assunto.

De acordo com a agência, o site será hospedado no freedom.gov. Uma das fontes afirmou que a atividade dos usuários não será rastreada. A iniciativa estava prevista para ser apresentada antes da Conferência de Segurança de Munique, mas o anúncio foi adiado por razões não esclarecidas.

Em comunicado à Reuters, o Departamento de Estado afirmou que o governo dos EUA não possui um programa específico para burlar a censura na Europa, mas acrescentou que a liberdade digital é uma prioridade para Washington.

Ofensiva contra a censura europeia

As políticas de restrição a plataformas digitais e os ataques contra empresas de tecnologia americanas tornaram-se uma fonte de atrito nas relações entre Washington e seus aliados europeus.

Anteriormente, o Comitê Judiciário do Congresso dos EUA havia acusado a UE de ter "liderado por uma década uma campanha bem-sucedida para alcançar o controle global da narrativa online".

"Antes de pelo menos oito eleições em seis países europeus desde 2023, a Comissão se reuniu com plataformas para pressioná-las a censurar discursos políticos nos dias que antecedem as votações", afirma o documento.

Além disso, buscas e apreensões foram realizadas no começo de fevereiro nos escritórios do X em Paris, e o proprietário da plataforma, Elon Musk, foi intimado a depor. Em dezembro de 2025, a Comissão Europeia multou a X em US$ 140 milhões por "não cumprir suas normas de transparência" sob a Lei de Serviços Digitais (DSA) de 2022, que estabelece regras sobre responsabilidade e moderação de conteúdo, o que provocou a indignação de Musk, que pediu a "abolição" da União Europeia.