
Em julgamento histórico, Mark Zuckerberg é interrogado sobre vício de menores em redes sociais

O diretor-executivo da Meta*, Mark Zuckerberg, foi interrogado na quarta-feira (18) em um julgamento histórico em Los Angeles que pode vir a estabelecer um precedente legal importante. A questão central foi se a empresa projetou intencionalmente o Instagram para criar dependência entre os usuários mais jovens.
Zuckerberg dirigiu-se diretamente à jovem que acusa tanto a Meta quanto o YouTube de terem desencadeado nela um quadro clínico que inclui depressão, baixa autoestima, ansiedade e pensamentos suicidas, supostamente resultantes do uso constante das duas plataformas, conforme noticiado pela imprensa americana.
"Meu foco está em construir uma comunidade sustentável", respondeu Zuckerberg quando questionado se a Meta deseja que as pessoas fiquem viciadas em suas redes sociais.
DEVELOPING: Mark Zuckerberg arrives at Federal Court in LA. Taking stand soon in landmark social media trial. @NewsNationpic.twitter.com/PnxtKpSxxo
— Nancy Loo (@NancyLoo) February 18, 2026
A requerente, uma jovem de 20 anos, alegou que o uso precoce das redes sociais desencadeou nela um quadro de dependência e exacerbou seus problemas de saúde mental. Na ação judicial, ela acusa as grandes empresas de tecnologia de agirem de forma deliberada, projetando plataformas quem criam vício e, desta forma, lucrando com um público infantil vulnerável.
O advogado da acusação, Mark Lanier, destacou que, na época em que sua cliente e muitas outras crianças criaram suas contas, o Instagram não dispunha de mecanismos eficazes de verificação de idade. Foi nesse contexto de falha sistêmica que, segundo ele, a requerente começou a utilizar a plataforma aos nove anos de idade.

"Sempre desejei que pudéssemos ter agido antes", declarou Zuckerberg, defendendo que a Meta desenvolveu medidas ao longo do tempo para tentar identificar usuários que não tenham atingido a maioridade.
Em um momento da audiência, Lanier questionou quanto dinheiro ele havia prometido doar às vítimas afetadas pelas redes sociais, ao que Zuckerberg respondeu: "Discordo da forma como sua pergunta é formulada".
Para Matt Bergman, advogado fundador de uma organização de apoio a vítimas das redes sociais, o fato de Zuckerberg responder pela primeira vez perante um júri pela forma que um produto de sua empresa foi projetado é, "mais do que um marco legal, é um momento que famílias de todo o país estavam aguardando".
*Classificada na Rússia como uma organização extremista, cujas redes sociais são proibidas em seu território.
