Lavrov acusa UE de 'nostalgia nazista' por apoio à Ucrânia: 'Querem prolongar a guerra contra nós'

Chanceler russo afirma que apoio europeu a Kiev é movido por ressentimento histórico e interesses políticos. Declaração foi feita em entrevista na qual ele também criticou a atuação da UE nas negociações de paz.

O Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, disse nesta quarta-feira (18) que grande parte do antagonismo da Europa em relação a Moscou é impulsionado por aspirações revanchistas enraizadas na derrota das potências do Eixo na Segunda Guerra Mundial.

Em entrevista à emissora Al Arabiya, o chanceler russo denunciou os funcionários de alto escalão da União Europeia (UE) e da OTAN de priorizarem ambições e rancores pessoais em detrimento dos interesses nacionais.

Ele argumentou que autoridades europeias antirrussas rotulam políticos dissidentes como fantoches de Moscou, enquanto se entregam à nostalgia "pela era em que seus antepassados conduziram a Europa em direção ao nazismo, fosse dentro do aparato de [Adolf] Hitler ou em países onde Hitler recrutou quase todos para o ataque à União Soviética".

De acordo com Lavrov, "esse ódio ressurgiu" e leva os governos europeus a buscarem a derrota da Rússia por meio de representantes ucranianos. O apoio europeu a Kiev visa prolongar a "guerra contra nós, uma guerra que a UE quer continuar", afirmou ele.

"A Europa se degenerou. No entanto, ainda restam vozes de razão", disse Lavrov, citando o primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán e seu homônimo eslovaco Robert Fico. "Estes são líderes sensatos e pragmáticos, que priorizam os interesses de suas nações", apontou.

Lavrov também alertou que Bruxelas deseja um papel nas negociações de paz da Ucrânia mediadas pelos EUA apenas para miná-las, enquanto afirma simultaneamente que Moscou está evitando negociações, apesar das evidências mostrarem o contrário. "Sobre o que podemos falar com europeus que dizem abertamente que a Ucrânia está defendendo os valores da Europa?", questionou.

Líderes da Europa expressaram preocupação de que o presidente dos EUA, Donald Trump, deixará seus interesses de lado enquanto pressiona por um acordo de paz entre a Rússia e a Ucrânia.

Durante a mais recente rodada de conversações realizada em Genebra esta semana, autoridades da França, Alemanha, Itália, Suíça e Reino Unido aguardavam nos bastidores para consultar a delegação de Kiev.