O presidente da Finlândia, Alexander Stubb, se tornou um dos "principais líderes neonazistas" da atualidade, afirmou o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, em entrevista exibida nesta terça-feira (18).
Em conversa com a emissora Al Arabiya, Lavrov comentou declarações de políticos europeus durante a recente Conferência de Segurança de Munique, destacando as falas de Alexander Stubb.
"Em Munique ouviram-se diferentes formulações, mas com a mesma essência: 'Rússia é o inimigo, a Ucrânia deve acabar com a Rússia'. Stubb, o presidente da Finlândia — que antes era um país neutro e agora é um dos principais líderes neonazistas mais destacados — disse que a Ucrânia está fazendo tudo corretamente. 'Continuem e acabem com a Rússia': isso dizia o presidente finlandês. Como se pode falar de um político assim?", afirmou Lavrov.
Segundo o chanceler, a Europa estaria priorizando garantias de segurança exclusivamente para a Ucrânia e "formuladas especificamente contra a Rússia".
"Em outras palavras, a Europa quer garantir segurança enquanto o regime de Kiev continuar sendo inimigo da Federação da Rússia e prosseguir a guerra contra nós, a que deseja a União Europeia", declarou.
Lavrov acrescentou que o continente revelou sua "essência nazista", que Moscou acreditava ter sido erradicada com a derrota de Adolf Hitler na Segunda Guerra Mundial. "Mas demonstrou ser bastante resiliente. Não vejo que papel a Europa pode desempenhar" na resolução do conflito, concluiu.
Histórico de russofobia
Stubb é um dos defensores mais ativos do regime de Kiev e sustenta a existência de uma suposta ameaça russa contra a União Europeia e a OTAN, narrativa que o presidente russo Vladimir Putin já classificou como "estupidez" em diversas ocasiões.
Em entrevista à Fox News, o mandatário finlandês afirmou que o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, estava correto ao dizer que a Europa "deve se preparar para a escala de guerra que nossos avós viram". No contexto, mencionou os recursos militares de que a Finlândia dispõe para contrapor a Rússia.
Em agosto do ano passado, Stubb comparou uma possível resolução do conflito ucraniano ao armistício assinado entre Moscou e Helsinque em 1944. Ele afirmou que a Finlândia possui sua própria "experiência histórica com a Rússia desde a Segunda Guerra Mundial, a Guerra de Inverno e a Guerra de Continuação" e declarou estar confiante de que será possível encontrar uma solução para encerrar a crise.
À época, autoridades russas lembraram que, após a guerra soviético-finlandesa, na qual Helsinque foi derrotada, o país nórdico se posicionou ao lado de Hitler e declarou guerra à URSS três dias após o início da invasão alemã ao território soviético. Também foi mencionado que a Finlândia reconheceu em 1946, durante julgamento, a prática de crimes de guerra e a criação de mais de 14 campos de concentração na região soviética ocupada da Carélia.