
Chanceler de Cuba se pronuncia após reunião com Putin em Moscou

O chanceler de Cuba, Bruno Rodriguez Parrilla, agradeceu ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, pelo apoio de Moscou diante do bloqueio imposto à ilha. A declaração foi feita após reunião realizada nesta quarta-feira (18).
Rodriguez afirmou que foi recebido por Putin na qualidade de enviado especial do Partido e do Governo cubano. Segundo ele, o encontro reforçou o caráter estratégico das relações bilaterais.

"Expressei a gratidão de Cuba pelo apoio invariável da Rússia frente ao bloqueio e ao cerco energético que tanto prejudicam nosso povo", escreveu o chanceler na rede social X.
Rodríguez também destacou o "caráter histórico e fraterno" dos laços entre Havana e Moscou e reiterou a disposição de Cuba de continuar fortalecendo a cooperação "em todos os setores".
O Kremlin detalhou que um dos temas abordados durante a reunião foi a ajuda a Cuba. Por sua vez, Putin classificou como "inaceitáveis" as novas sanções impostas contra a ilha e afirmou que Moscou esteve "sempre ao lado" de Cuba em sua luta pela independência e pelo direito de seguir seu próprio caminho de desenvolvimento.
O mandatário também destacou as "duradouras e históricas" relações bilaterais e reconheceu as dificuldades enfrentadas pelo povo cubano ao longo de décadas para defender seus interesses nacionais.
Apoio
No mesmo dia, Rodríguez também se reuniu com o chanceler russo, Sergey Lavrov, que reiterou a solidariedade total de Moscou a Havana.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia afirmou que o país continuará prestando apoio a Cuba na defesa de sua soberania e segurança, além de enfatizar que a cooperação bilateral não representa ameaça aos Estados Unidos nem a qualquer outro país.
Lavrov classificou como "inaceitáveis" as ações de Washington, que anteriormente emitiu um decreto especial declarando que Cuba, e sua cooperação com a Rússia, representa uma ameaça aos interesses norte-americanos.
"Naturalmente, rejeitamos categoricamente as acusações descabidas contra a Rússia e Cuba, contra a nossa cooperação, que supostamente cria uma ameaça aos interesses dos Estados Unidos ou de quem quer que seja", sublinhou.
Ameaças de Trump
As declarações ocorrem após medidas anunciadas pela Casa Branca no fim de janeiro. Em 29 de janeiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que declarou "emergência nacional" diante da suposta "ameaça incomum e extraordinária" que, segundo Washington, Cuba representaria para a segurança norte-americana e para a região.
Com base nessa decisão, foi anunciada a imposição de tarifas a países que vendam petróleo à nação caribenha, além de advertências de represálias contra aqueles que atuem em desacordo com a ordem executiva.
Posteriormente, o Trump reconheceu que sua Administração mantinha contatos com Havana e afirmou que pretende chegar a um acordo, embora tenha classificado o país como "nação em decadência" que "já não conta com a Venezuela" para se sustentar.
As declarações ocorrem em meio ao bloqueio econômico e comercial mantido pelos Estados Unidos contra Cuba há mais de seis décadas. O embargo, que atinge a economia da ilha, foi reforçado com novas medidas coercitivas e unilaterais por parte da Casa Branca.
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, reagiu às acusações. "Cuba é uma nação livre, independente e soberana. Ninguém nos dita o que fazer. Cuba não agride, é agredida pelos EUA há 66 anos, e não ameaça, se prepara, disposta a defender a pátria até a última gota de sangue", declarou.
Havana tem rejeitado de forma sistemática o que considera acusações infundadas por parte de Washington e advertiu que defenderá sua integridade territorial diante de qualquer pressão externa.

