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Kremlin confirma que apoio a Cuba foi discutido por Putin em Moscou

Porta-voz Dmitry Peskov afirmou que o tema esteve na agenda da reunião entre o presidente da Rússia e o chanceler cubano Bruno Rodríguez.
Kremlin confirma que apoio a Cuba foi discutido por Putin em MoscouAP / Pavel Bednyakov

A ajuda a Cuba esteve entre os temas discutidos na reunião entre o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, realizada em Moscou nesta quarta-feira (18).

A confirmação foi feita pelo porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, durante conversa com jornalistas. Segundo ele, o apoio a Havana integrou a agenda do encontro na capital russa.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, classificou como "inaceitáveis" as novas sanções impostas contra Cuba. A declaração foi feita nesta quarta-feira (18), durante reunião com o chanceler cubano, Bruno Rodríguez Parrilla, que realiza visita oficial a Moscou.

"Estamos em um período especial, com novas sanções. Já sabem o que pensamos a respeito. Não aceitamos nada desse tipo", afirmou o chefe de Estado russo. Segundo ele, a posição do Ministério das Relações Exteriores da Rússia é expressa de forma "aberta, clara e sem duplo sentido".

Putin também ressaltou as relações entre Moscou e Havana, que classificou como duradouras e históricas. O presidente destacou que a Rússia sempre apoiou a ilha "em sua luta pela independência".

"Sempre estivemos do lado de Cuba em sua luta pela independência, pelo direito de seguir seu próprio caminho de desenvolvimento e sempre apoiamos o povo cubano", enfatizou.

Ele acrescentou que Moscou acompanha as dificuldades enfrentadas pelo país caribenho ao longo das últimas décadas. "Sabemos o quão difícil tem sido para o povo cubano ao longo destas décadas de independência cubana em sua luta por seu direito de viver segundo suas próprias regras e defender seus interesses nacionais", declarou.

Mais cedo, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que "é evidente que a reunião reveste especial importância dado o difícil momento que atravessa a amiga e irmã" Havana. Ele também reiterou que a Rússia, assim como outros países, se opõe ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos contra a ilha.

"Valorizamos muito nossas relações [com Cuba] e temos a intenção de desenvolvê-las ainda mais, naturalmente, durante os tempos difíceis, proporcionando a assistência adequada aos nossos amigos", concluiu Peskov.

Apoio 

No mesmo dia, Rodríguez também se reuniu com o chanceler russo, Sergey Lavrov, que reiterou a solidariedade total de Moscou a Havana.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia afirmou que o país continuará prestando apoio a Cuba na defesa de sua soberania e segurança, além de enfatizar que a cooperação bilateral não representa ameaça aos Estados Unidos nem a qualquer outro país.

Lavrov classificou como "inaceitáveis" as ações de Washington, que anteriormente emitiu um decreto especial declarando que Cuba, e sua cooperação com a Rússia, representa uma ameaça aos interesses norte-americanos.

"Naturalmente, rejeitamos categoricamente as acusações descabidas contra a Rússia e Cuba, contra a nossa cooperação, que supostamente cria uma ameaça aos interesses dos Estados Unidos ou de quem quer que seja", sublinhou.

Ameaças de Trump 

As declarações ocorrem após medidas anunciadas pela Casa Branca no fim de janeiro. Em 29 de janeiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que declarou "emergência nacional" diante da suposta "ameaça incomum e extraordinária" que, segundo Washington, Cuba representaria para a segurança norte-americana e para a região.

Com base nessa decisão, foi anunciada a imposição de tarifas a países que vendam petróleo à nação caribenha, além de advertências de represálias contra aqueles que atuem em desacordo com a ordem executiva.

Posteriormente, o Trump reconheceu que sua Administração mantinha contatos com Havana e afirmou que pretende chegar a um acordo, embora tenha classificado o país como "nação em decadência" que "já não conta com a Venezuela" para se sustentar.

As declarações ocorrem em meio ao bloqueio econômico e comercial mantido pelos Estados Unidos contra Cuba há mais de seis décadas. O embargo, que atinge a economia da ilha, foi reforçado com novas medidas coercitivas e unilaterais por parte da Casa Branca.

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, reagiu às acusações. "Cuba é uma nação livre, independente e soberana. Ninguém nos dita o que fazer. Cuba não agride, é agredida pelos EUA há 66 anos, e não ameaça, se prepara, disposta a defender a pátria até a última gota de sangue", declarou.

Havana tem rejeitado de forma sistemática o que considera acusações infundadas por parte de Washington e advertiu que defenderá sua integridade territorial diante de qualquer pressão externa.