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Artistas pressionam Festival de Berlim por posicionamento sobre Gaza

Grupo de 81 nomes do cinema afirma que evento adota tratamento distinto ao abordar conflitos internacionais.
Artistas pressionam Festival de Berlim por posicionamento sobre GazaGettyimages.ru / Robert Gauthier

Mais de 80 participantes atuais e antigos da Festival Internacional de Cinema de Berlim, conhecido como Berlinale, assinaram uma carta aberta ao festival condenando o que classificam como "silêncio" em relação ao conflito em Gaza e a "censura" de artistas que se manifestaram publicamente. A carta foi publicada exclusivamente pela revista Variety na terça-feira (17).

Entre os signatários estão os atores Tilda Swinton, Javier Bardem, Angeliki Papoulia, Saleh Bakri, Tatiana Maslany, Peter Mullan e Tobias Menzies, além dos diretores Mike Leigh, Lukas Dhont, Nan Goldin, Miguel Gomes, Adam McKay e Avi Mograbi.

No documento, eles afirmam que "esperam que as instituições de nossa indústria se recusem a ser cúmplices da terrível violência que continua a ser travada contra os palestinos".

A carta foi divulgada em meio à edição de 2026 do Berlinale, marcada por debates políticos, sobretudo após declarações do presidente do júri, Wim Wenders, na coletiva de abertura. Questionado sobre Gaza e sobre o apoio do governo alemão, que financia o festival, a Israel, ele declarou que "devemos ficar fora da política" e afirmou que o cinema seria "o oposto da política".

A repercussão levou a diretora do festival, Tricia Tuttle, a divulgar um comunicado no qual afirmou: "Não se deve esperar que os artistas comentem todos os debates mais amplos sobre práticas passadas ou atuais de um festival sobre as quais não têm controle".

No texto, os signatários dizem que "discordam veementemente" das declarações de Wenders. "Não se pode separar uma coisa da outra", afirmam, ao defender que cinema e política estão interligados.

O grupo também menciona que mais de 5 mil profissionais da indústria cinematográfica anunciaram recusa em trabalhar com "empresas e instituições cinematográficas israelenses cúmplices."

O documento recorda ainda que, em edições anteriores, o Berlinale fez "declarações claras" sobre o que consideravam "atrocidades" cometidas contra pessoas no Irã e na Ucrânia.

Ao final, os signatários apelam para que o festival declare oposição ao que classificam como "genocídio de Israel, crimes contra a humanidade e crimes de guerra contra os palestinos" e encerre qualquer envolvimento que, segundo eles, contribua para proteger Israel de críticas e pedidos de responsabilização.