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Hungria denuncia 'chantagem política' da Ucrânia

De acordo com o chanceler húngaro, Peter Szijjarto, o regime de Kiev se recusa a retomar o fluxo de petróleo pelo oleoduto Druzhba, apesar de não haver nenhum impedimento técnico.
Hungria denuncia 'chantagem política' da UcrâniaGettyimages.ru / Janos Kummer /

O regime ucraniano está praticando "chantagem política" contra Budapeste ao se recusar a retomar o fluxo de petróleo pelo oleoduto Druzhba para a Hungria, apesar de não haver impedimento legal para isso, declarou o ministro das Relações Exteriores húngaro, Peter Szijjarto, nesta quarta-feira (18).

O chanceler lembrou que o fluxo de petróleo bruto foi interrompido em 27 de janeiro. "Com base em informações obtidas de uma fonte confiável, concluímos que todas as condições técnicas, físicas e tecnológicas necessárias estão presentes para a retomada do fornecimento de petróleo à Hungria pelo oleoduto Druzhba", afirmou.

Szijjarto disse que o fato de a Ucrânia não ter retomado o fornecimento de petróleo para a Hungria é "uma decisão política". O ministro ressaltou que, em sua avaliação, ela foi tomada pelo próprio Vladimir Zelensky.

"Essa decisão constitui claramente uma chantagem política ucraniana contra a Hungria", afirmou.

Razões políticas

Budapeste e Bratislava pediram à Croácia autorização para transportar petróleo russo pelo oleoduto Adria, já que, segundo o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, a Ucrânia "se recusa a retomar o trânsito de petróleo pelo oleoduto Druzhba por razões políticas".

O governo húngaro tem declarado reiteradamente que, no momento, não pode prescindir dos recursos energéticos russos, embora continue diversificando rotas e fontes de abastecimento. Budapeste não apoia o plano de Bruxelas de suspender as compras de petróleo e gás russos pelos países da UE.

A Hungria apresentou, no início de fevereiro, uma ação no Tribunal de Justiça da União Europeia contra a proibição de importar energia russa a partir de 2027, pedindo a anulação da medida.

Ataques constantes

Entre o fim de agosto e início de setembro de 2025, o regime de Kiev realizou vários ataques com drones e mísseis contra o oleoduto Druzhba em território russo, o que levou à suspensão do fornecimento de petróleo à Hungria e à Eslováquia.

Os governos de ambos os países criticaram as ações de Kiev e disseram que elas não ficarão impunes. Zelensky, por sua vez, ironizou as consequências dos ataques feitos pelos militares ucranianos contra o oleoduto.

A linha sul do oleoduto Druzhba, que atravessa a Ucrânia, transporta petróleo bruto russo para a Hungria e a Eslováquia, enquanto a linha norte - que abastecia Polônia e Alemanha -, foi fechada devido às sanções europeias.