As ações dos Estados contra Cuba são inaceitáveis, declarou o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, nesta quarta-feira (18), em um encontro com seu colega cubano, Bruno Rodríguez, em Moscou.
O chanceler russo lembrou que os EUA aprovaram um decreto especial declarando Cuba uma "ameaça" aos seus interesses nacionais.
"Ao mesmo tempo, esse mesmo decreto afirma que essa ameaça é exacerbada pela sua cooperação conosco, com a Rússia, que foi rotulada nesse decreto como um 'estado hostil e malicioso'", disse Lavrov a Bruno Rodríguez.
O presidente dos EUA, Donald Trump, assinou em 9 de janeiro um decreto declarando "emergência nacional", com base na suposta "ameaça incomum e extraordinária" que Cuba representaria para seu país e para o restante da região.
Entre outras alegações, Washington sustenta que Havana "acolhe de forma descarada adversários perigosos dos EUA, convidando-os a estabelecer em Cuba capacidades militares e de inteligência sofisticadas que ameaçam diretamente a segurança nacional norte-americana", em referência às alianças defensivas e de inteligência mantidas pelo país caribenho com Rússia e China.
O chanceler russo rejeitou as acusações. "É claro que rejeitamos categoricamente as acusações absurdas contra a Rússia e Cuba, contra a nossa cooperação, de que supostamente representam uma ameaça aos interesses dos Estados Unidos ou de qualquer outro país", enfatizou ele.
Lavrov enfatizou que a Rússia continuará a apoiar Cuba na defesa da soberania e segurança do país, ressaltando que essa cooperação não representa uma ameaça aos EUA ou a qualquer outro país.
Novas ameaças de Trump a Cuba
No dia 29 de janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva declarando "emergência nacional" diante de uma suposta "ameaça incomum e extraordinária" que, segundo Washington, Cuba representaria para a segurança do país norte-americano e da região. O texto acusa o governo cubano de se alinhar com "numerosos países hostis", de acolher "grupos terroristas transnacionais", como o Hamas e o Hezbollah, e de permitir a instalação de "sofisticadas capacidades militares e de inteligência" da Rússia e da China na ilha.
Com base nisso, foi anunciado a imposição de tarifas aos países que vendam petróleo à nação caribenha, além de ameaças de represálias contra aqueles que atuem em desacordo com a ordem executiva da Casa Branca. Posteriormente, o mandatário reconheceu que seu governo mantém contatos com Havana e indicou que pretende chegar a um acordo, embora tenha classificado o país caribenho como "nação em decadência" e que "já não conta com a Venezuela" para se sustentar.
As declarações vêm em meio ao bloqueio econômico e comercial mantido pelos EUA contra Cuba há mais de seis décadas. O embargo, que afeta gravemente a economia do país, foi agora reforçado com numerosas medidas coercitivas e unilaterais por parte da Casa Branca.
"Cuba é uma nação livre, independente e soberana. Ninguém nos dita o que fazer. Cuba não agride, é agredida pelos EUA há 66 anos, e não ameaça, mas se prepara, disposta a defender a pátria até a última gota de sangue", afirmou o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel.
"Essa nova medida evidencia a natureza fascista, criminosa e genocida de uma quadrilha que sequestrou os interesses do povo norte-americano com fins puramente pessoais", declarou o presidente cubano. Todas as acusações infundadas de Washington foram rejeitadas sistematicamente por Havana, que advertiu que defenderá sua integridade territorial.