Embaixador dos EUA causa escândalo na Bélgica por causa de circuncisão

Bill White criticou processo contra três mohels por realizarem circuncisões sem licença médica e acusou ministro da Saúde de ser "grosseiro"; o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, apoiou publicamente o embaixador americano.

A Bélgica convocou o embaixador dos EUA em Bruxelas, Bill White, para prestar esclarecimentos após ele acusar autoridades belgas de assediar a comunidade judaica, informou o chanceler belga, Maxime Prevot, em publicação sobre o caso.

A controvérsia começou com uma postagem de White na rede social X, na segunda-feira (16), na qual ele pedia o arquivamento do processo contra três mohels — religiosos judeus que realizam circuncisões — suspeitos de fazer o procedimento em Antuérpia sem licença médica.

"Pare com este assédio inaceitável à comunidade judaica aqui em Antuérpia e na Bélgica", escreveu White, argumentando que os mohels estavam "fazendo o que foram treinados para fazer há milhares de anos".

O embaixador também acusou o ministro belga da Saúde, Frank Vandenbroucke, de ter sido "muito grosseiro", dizendo que o ministro se recusou a cumprimentá-lo ou posar para uma foto no primeiro encontro. "Ficou claro que você não gosta da América", afirmou.

O chanceler belga criticou as declarações. "Qualquer sugestão de que a Bélgica é antissemita é falsa, ofensiva e inaceitável. A Bélgica condena o antissemitismo com a maior firmeza", respondeu Prevot no X.

Prevot acrescentou que "ataques pessoais contra um ministro belga e interferência em assuntos judiciais violam normas diplomáticas básicas" e lembrou que, pela lei belga, apenas médicos qualificados podem realizar circuncisões.

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, apoiou publicamente o embaixador, citando uma "alta acentuada e consecutiva de ataques antissemitas na Bélgica", o que foi contestado pelo chanceler belga.