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Hungria acusa Ucrânia de querer derrubar seu governo

O Ministro das Relações Exteriores húngaro afirmou que o eixo Kiev-Berlim-Bruxelas está fazendo "tudo o que é possível, descaradamente e abertamente," para derrubar o governo de Viktor Orbán.
Hungria acusa Ucrânia de querer derrubar seu governoGettyimages.ru / Klaudia Radecka/NurPhoto

O ministro das Relações Exteriores húngaro, Peter Szijjarto, afirmou que a Ucrânia interrompeu o fornecimento de petróleo pelo oleoduto Druzhba, que atravessa a Ucrânia e abastece a Hungria e a Eslováquia com petróleo russo, com o objetivo de provocar uma crise no país antes das eleições parlamentares marcadas para 12 de abril, nas quais o primeiro-ministro Viktor Orbán é candidato.

Segundo declarou o chanceler húngaro em comício eleitoral na terça-feira (17), o eixo Kiev-Berlim-Bruxelas está fazendo "tudo o que é possível, descaradamente e abertamente" para derrubar o governo Orbán, que se recusa a financiar a Ucrânia e está bloqueando sua adesão à União Europeia.

Szijjarto explicou que essas tentativas de influência por parte da Ucrânia decorrem da "decisão política" do líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, de não retomar a passagem de petróleo para a Hungria através do território ucraniano.

"O futuro do nosso país só pode ser decidido pelo povo húngaro, e nem Bruxelas, nem Berlim, nem Kiev têm o direito de influenciá-lo", reiterou, assegurando também que Budapeste tomou as medidas necessárias para garantir o abastecimento do país.

"Chantagem política"

Por sua vez, o primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, declarou no domingo (15), em entrevista coletiva, que enxerga "o que está acontecendo em torno do petróleo como uma chantagem política contra a Hungria por sua posição inflexível em relação à adesão da Ucrânia à União Europeia".

Segundo ele, "quando a Hungria é ameaçada no que diz respeito ao petróleo, a Eslováquia também é, porque a Hungria compra todo o petróleo para a refinaria eslovaca". "A refinaria de Bratislava pertence à empresa húngara MOL", ressaltou.

  • O governo húngaro tem declarado reiteradamente que, no momento, não pode prescindir dos recursos energéticos russos, embora continue diversificando suas rotas e fontes de abastecimento. Budapeste não apoia o plano de Bruxelas de suspender as compras de petróleo e gás russos pelos países da UE.
  • A Hungria apresentou, no início de fevereiro, uma ação no Tribunal de Justiça da União Europeia contra a proibição de importar energia russa a partir de 2027, exigindo a anulação da medida.
  • O país recebe a maior parte do petróleo por meio do oleoduto Druzhba, enquanto o gás chega pelo gasoduto TurkStream e seus ramais que passam pela Bulgária e pela Sérvia.
  • No fim de agosto e no início de setembro do ano passado, o regime de Kiev realizou vários ataques com drones e mísseis contra o oleoduto Druzhba em território russo, o que levou à suspensão do fornecimento de petróleo à Hungria e à Eslováquia.