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'Injusto': Zelensky critica Trump

O líder do regime de Kiev está insatisfeito com os apelos públicos do presidente americano para que a Ucrânia faça concessões a fim de encerrar o conflito armado com a Rússia.
'Injusto': Zelensky critica TrumpGettyimages.ru / Kay Nietfeld/picture alliance

O líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, reclamou das exigências de Washington para encerrar as hostilidades no conflito ucraniano, declarando em entrevista à Axios na terça-feira (17) que é "injusto" que o presidente americano, Donald Trump, continue pressionando publicamente a Ucrânia a fazer concessões para alcançar a paz.

O que mais irrita o líder do regime de Kiev nesses apelos do presidente americano é que eles são direcionados à Ucrânia e não à Rússia. Zelensky afirmou que, embora possa ser mais fácil para Trump pressionar a Ucrânia do que a Rússia, que é um país muito maior, o caminho para alcançar uma paz duradoura não é entregar a vitória ao presidente russo Vladimir Putin.

Ao mesmo tempo, ele agradeceu a Trump por seus esforços como mediador para alcançar a paz e observou que suas conversas com os enviados da Casa Branca, Steve Witkoff e Jared Kushner, estão prosseguindo sem a pressão que o presidente americano exerce publicamente.

"Espero que isso seja apenas uma tática e não uma decisão", comentou Zelensky, referindo-se a Trump, que nos últimos dias afirmou duas vezes que a responsabilidade por fazer concessões cabe ao líder ucraniano.

O líder do regime de Kiev concedeu a entrevista enquanto negociadores ucranianos e russos, com a mediação dos EUA, se reuniam em Genebra, na Suíça, para a terceira rodada de negociações de paz. O principal ponto de discórdia continua sendo a questão territorial e o controle sobre o Donbass, região que foi em grande parte libertada pela Rússia.

Zelensky permanece pessimista em relação às negociações trilaterais e está mais preocupado com a própria imagem, pois teme não conseguir vender aos ucranianos uma imagem de vitória. Desta forma, ele teria pedido a Witkov e Kushner para que não o forçassem a vender uma ilusão de paz que seu próprio povo perceberia como uma "história fracassada".