Os EUA retomarão os testes nucleares em "igualdade de condições" com a Rússia e a China, mas não realizarão explosões atmosféricas de megatons. A afirmação foi feita nesta terça-feira (17), pelo subsecretário de Estado para Controle de Armas e Não Proliferação, Christopher Yeaw.
A fala veio no contexto da recenteexpiração do Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Novo START) entre Washington e Moscou.
"Como declarado pelo presidente [Donald Trump], os Estados Unidos voltarão a realizar testes em igualdade de condições", garantiu o funcionário em um discurso no think tank Hudson Institute.
No entanto, ele esclareceu que isso não significa um retorno aos "testes atmosféricos ao estilo Ivy Mike na faixa de vários megatons", referindo-se à primeira bomba de hidrogênio detonada pelos EUA em 1952, nas Ilhas Marshall, no Oceano Pacífico.
"Em igualdade de condições significa cumprir um padrão determinado. Observem o caso da China e da Rússia para ver qual é esse padrão", explicou.
A postura da Rússia
No final de 2025, após declarações de Donald Trump de que os EUA realizarão testes nucleares "muito em breve", alegando que outras potências também os fazem, o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Ryabkov, declarou que Moscou responderá com determinação. "Se houver um retorno dos EUA aos testes nucleares explosivos em larga escala, reservamo-nos o direito a uma resposta equivalente", afirmou o diplomata.
O anúncio de Trump ocorreu depois que a Rússia informou sobre uma série de testes de seus sistemas de armas inovadores com propulsão nuclear, como o míssil de cruzeiro Burevestnik e o drone submarino Poseidon. No entanto, Moscou esclareceu que esses ensaios não têm relação com testes nucleares.
O presidente russo, Vladimir Putin, declarou que seu país não ameaça ninguém, mas "desenvolve seu potencial nuclear conforme anunciado", assim como todas as outras potências nucleares.
Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores russo, Serguey Lavrov, recordou que o líder russo afirmou, ainda em 2023, que "se alguma das potências nucleares realizar testes com armas nucleares, a Rússia fará o mesmo".
Controle nuclear
Durante meio século, os Estados Unidos e a União Soviética — sucedida pela Rússia — sustentaram uma arquitetura de controle de armas estratégicas ancorada em acordos como o SALT I, o Tratado de Mísseis Antibalísticos (ABM) e, mais recentemente, o Novo START, firmado em 2010 pelos então presidentes Barack Obama e Dmitri Medvedev.
Com a expiração do Novo START no último dia 5, o ministro Lavrov ressaltou que ambas as partes "já não estão vinculadas a nenhuma obrigação". Ele afirmou que Moscou está preparada para qualquer desenrolar dos fatos, embora prefira a via do diálogo e esteja disposto a retomá-lo "quando a postura geral de Washington for esclarecida".
A China, por sua vez, pediu que os EUA retomem o diálogo estratégico com a Rússia, sinalizando que esta é a "expectativa comum da comunidade internacional".
Em contrapartida, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, sustentou que a "rápida e opaca expansão" do arsenal chinês tornou "obsoletos" os modelos bilaterais de controle de armas, enquanto o subsecretário Thomas DiNanno defendeu que qualquer novo acordo deve incluir Pequim.