
EUA querem que China se junte ao debate sobre armas nucleares com a Rússia

Washington busca incorporar a China em um possível novo acordo de redução de armas nucleares entre a Rússia e os Estados Unidos. A declaração foi feita nesta terça-feira (17) pelo subsecretário de Estado adjunto dos EUA para Controle de Armas e Não Proliferação, Christopher Yeaw.
"Para ser eficaz, o controle de armamentos deve adequar-se ao momento e à necessidade, ser verificável e não pode manter-se à margem dos ambientes de segurança atuais e em constante mudança. As ameaças evoluem, e nós também devemos evoluir se quisermos mitigá-las e gerenciá-las eficazmente", afirmou o funcionário durante uma coletiva de imprensa.

"Após a expiração do Novo START, ou seja, o Novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas, os Estados Unidos propuseram conversas multilaterais de estabilidade estratégica como meio para alcançar o controle de armas nucleares no futuro. Uma abordagem multilateral pode prevenir uma corrida armamentista nuclear desenfreada, limitar o acúmulo de armas nucleares e, quando apropriado, abordar as questões relativas aos Estados não signatários do TNP (Tratado de Não Proliferação Nuclear) que possuem armas nucleares", destacou.
Segundo Yeaw, enquanto Pequim "avança rapidamente rumo à paridade" com Moscou e Washington no âmbito nuclear, o presidente americano Donald Trump "oferece a oportunidade de prevenir uma corrida armamentista por meio da participação em conversas sobre estabilidade estratégica, sejam elas multilaterais ou de outro tipo".
"Diante da conferência de revisão do Segundo Programa de Mitigação de Desastres (MP2) em abril, espero sinceramente que a China aceite a oferta do presidente em seus esforços de aproximação", afirmou.
"A maior falha" do Novo START
A alta autoridade dos EUA insistiu que a "maior falha" do Novo START foi estabelecer limites nucleares para os EUA enquanto permitia que a China permanecesse "completamente livre de restrições".
"Talvez tenha sido uma aposta que estávamos dispostos a fazer em 2010, quando foi assinado, mas certamente em 2021, quando a administração Biden se apressou em prorrogar o Novo START por cinco anos, deveríamos ter pensado melhor. Deveríamos saber que estávamos nos aproximando rapidamente de um desafio nuclear entre dois países", destacou.
"O presidente, sem dúvida, quer a China neste acordo. Então, não sei exatamente qual caminho tomaremos para conseguir isso. Imagino que será difícil. Não creio que ninguém tenha ilusões de que será fácil. Não foi fácil em 2020, quando tentamos chegar a um ponto semelhante. Mas tentamos", concluiu.
O que diz a China?
Anteriormente, o Ministério das Relações Exteriores da China, por meio de seu porta-voz Lin Jian, afirmou que as acusações dos EUA sobre supostos testes nucleares chineses são "totalmente infundadas, e fazem parte de uma manipulação política para buscar uma hegemonia nuclear que ameaça a estabilidade global".
Ele acrescentou que Washington "continua distorcendo e difamando" a postura chinesa, e que Pequim se opõe firmemente a isso.
O porta-voz ressaltou que o país norte-americano "é a principal fonte de perturbação da ordem nuclear internacional e da estabilidade estratégica global", ao permitir a expiração do START, manter a doutrina de "primeiro uso" de armas nucleares (que permite atacar com tal armamento sem ter sofrido um ataque nuclear prévio), investir trilhões na modernização da área nuclear e aplicar dois pesos e duas medidas no discurso de não proliferação de armas.
