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'Inferno gelado': soldado ucraniano relata morte por congelamento de companheiros cercados

O prisioneiro de guerra acrescentou que o comando ucraniano "não se importa" e proíbe os combatentes de abandonarem suas posições.
'Inferno gelado': soldado ucraniano relata morte por congelamento de companheiros cercadosMinistério da Defesa da Rússia

Um soldado ucraniano que se rendeu às forças russas descreveu, em vídeo divulgado nesta terça-feira (17) pelo Ministério da Defesa russo, a situação crítica de unidades das Forças Armadas de seu país bloqueadas na margem oriental do rio Oskol, ao sul de Kupiansk-Uzlovoy.

O prisioneiro de guerra Dmitri Kushnerenko afirmou que muitos companheiros têm mãos e pés lesionados pelo congelamento. "Se você estiver ferido, pode considerar que já está morto", disse.

Os militares ucranianos são obrigados a permanecer em posição apesar das condições climáticas adversas. Durante o dia, riachos inundam abrigos e, à noite, há geada.

O comando "não se importa"

Kushnerenko afirmou que os comandantes proíbem a retirada das tropas. "Não se importam que haja meio bunker cheio de água. Se pedimos a retirada, apenas respondem: 'permaneçam na posição' e ameaçam nos atacar com drones FPV", acrescentou.

"Nos bunkers, a água chega até os joelhos e, em alguns, até a cintura. Houve casos em que as saídas dos bunkers ficaram congeladas. Os rapazes não conseguiram sair de lá. Congelaram até a morte", revelou.

Kushnerenko disse ser praticamente impossível se aquecer, pois qualquer fogueira é identificada por drones russos, que buscam sinais térmicos e atingem as posições.

O prisioneiro também afirmou que combatentes que tentam abandonar posições são mortos por companheiros de unidade em uma floresta próxima.

Salvo por militares russos

"Não tínhamos opções. Todos tínhamos queimaduras de frio: mãos, pés, alguns até ficaram com a pele preta. Eu não conseguia ficar de pé, passei uma semana pedindo para ser retirado, mas o comandante afirmou que não. Ele disse que se eu me movesse, atiraria em mim", lembrou.

"Todas as roupas estavam encharcadas. Se você correr, vai morrer; se ficar parado, vai congelar até a morte", afirmou.

Kushnerenko disse que, ao se render aos militares russos, foi retirado do local e recebeu atendimento médico.

"Seus rapazes me tiraram de lá. Depois, me ajudaram e disseram que ainda podem salvar minhas pernas", concluiu.

Condenados à morte em "inferno gelado"

O Ministério da Defesa russo afirmou que, com base em depoimentos de prisioneiros e interceptações de rádio, "até 30% das tropas ucranianas ficam fora de combate precisamente devido a congelamentos, e não é possível evacuá-las para a zona da retaguarda".

"Nestas condições, os feridos são praticamente condenados a uma morte dolorosa por congelamento. Os corpos de militares ucranianos que nossos combatentes encontram nas antigas posições ucranianas comprovam isso", acrescenta.

As temperaturas noturnas na área de Kupiansk chegam a 6 ºC abaixo de zero, suficientes para causar lesões por frio ou morte com roupas molhadas. "As chuvas alternadas com geadas tornaram-se um verdadeiro 'inferno gelado' para os soldados ucranianos", diz o ministério.

Com previsão de queda para 11 ºC negativos em meados da semana, a situação das forças ucranianas cercadas "só vai piorar", acrescentou.

  • No início de dezembro, o chefe do Estado-Maior russo, Valery Gerasimov, informou que cerca de 15 batalhões das Forças Armadas da Ucrânia estão cercados na região do rio Oskol, e as tropas russas continuam fechando o cerco.
  • Em 15 de fevereiro, Gerasimov afirmou que o agrupamento Vostok está conduzindo operações ofensivas em ampla frente dentro de sua área de responsabilidade, atacando remanescentes do grupo inimigo bloqueado na margem oriental do rio Oskol.