Segunda rodada de negociações nucleares indiretas entre os EUA e o Irã: o que você precisa saber

Teerã insiste em seu direito à energia nuclear para fins pacíficos, enquanto Washington exige que o país desmantele seu programa de enriquecimento de urânio.

A segunda rodada de negociações indiretas entre o Irã e os EUA sobre o programa nuclear iraniano começou nesta terça-feira (17) na cidade suíça de Genebra "com uma troca de mensagens", informou a emissora iraniana IRIB.

Representantes dos EUA já se tinham reunido com o chanceler de Omã, Badr bin Hamad Al Busaidi, e o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi.

As negociações estão sendo travadas com a mediação da missão diplomática de Omã em Genebra. O país atua como mediador principal através de seu ministro das Relações Exteriores, transmitindo as mensagens entre as delegações dos EUA e do Irã.

Composição das delegações

A delegação iraniana é chefiada pelo Ministro das Relações Exteriores, Seyed Abbas Araghchi, que está acompanhado por funcionários e "especialistas nucleares". Araghchi chegou à Suíça na segunda-feira (16) à frente de uma delegação diplomática e técnica e já se reuniu com Grossi.

A delegação dos EUA é liderada pelo enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, acompanhado pelo genro do presidente Donald Trump, Jared Kushner, entre outras autoridades.

Tópicos de discussão

As negociações abrangem questões relacionadas ao programa nuclear iraniano e ao levantamento das sanções norte-americanas contra a República Islâmica.

O lado iraniano insiste em seu direito à energia nuclear pacífica, para o qual precisa manter um programa de enriquecimento de urânio. Teerã expressou sua disposição de fazer concessões, como diluir seu estoque de urânio enriquecido a 60% em troca da suspensão das sanções.

Contudo, o governo Trump exige a completa suspensão do enriquecimento de urânio no Irã e a remoção de todo o urânio enriquecido do país. Segundo Washington, a posse da tecnologia de enriquecimento pela República Islâmica representa um caminho direto para o desenvolvimento de armas nucleares.

Os EUA também insistem na limitação do arsenal de mísseis de longo alcance do Irã e uma mudança na política iraniana de apoio aos seus aliados na região.

Ameaças de Trump

A rodada anterior de negociações indiretas entre o Irã e os EUA ocorreu em 6 de fevereiro na capital de Omã, Mascate, e tornou-se a primeira após uma pausa de vários meses no diálogo entre as partes, provocada pela fase tensa do conflito entre Irã e Israel em junho de 2025.

As negociações ocorreram em meio a ameaças do presidente dos EUA de uma possível ação militar contra o Irã. Em resposta, Araghchi advertiu que Teerã atacaria bases americanas no Oriente Médio caso sofresse agressão militar por parte de Washington.

O que se pode esperar?

Na véspera da segunda rodada de negociações indiretas, Trump as classificou como "muito importantes" e alertou o Irã sobre as possíveis consequências de um fracasso em chegar a um acordo com Washington. O presidente norte-americano afirmou que Teerã "não quer" enfrentar as consequências de uma negociação malsucedida. 

Já o chanceler iraniano enfatizou que chegou a Genebra "com ideias concretas para alcançar um acordo justo e equitativo". "O que não está em discussão: ceder a ameaças", ressaltou.