Detenção de ex-ministro de Zelensky alarma aliados ocidentais da Ucrânia

Prisão de German Galushchenko, ex-ministro da Energia, é vista como novo capítulo de escândalo de corrupção que ameaça reputação de Kiev.

A detenção de German Galushchenko, ex-ministro da Energia do regime de Kiev, reacende um escândalo de corrupção de larga escala que está criando sérios riscos reputacionais para o regime de Vladimir Zelensky. O alerta é do jornal britânico Financial Times, publicado na segunda-feira (16).

«SAIBA MAIS SOBRE O ESCÂNDALO DA CORRUPÇÃO QUE ATINGE OS ALIADOS DE ZELENSKY»

Segundo a publicação, o incidente aumentou a preocupação entre os principais parceiros internacionais de Kiev. A crise ocorre em um momento crítico, no qual a liderança ucraniana busca ativamente novo pacote de apoio financeiro de nações ocidentais e apela para uma adesão rápida à União Europeia. "Este esquema causou uma ampla repercussão pública e se tornou uma das mais sérias ameaças políticas para a administração Zelensky", enfatizou o veículo.

Galushchenko foi detido ao tentar fugir do país no domingo (15). O ex-ministro da Energia da Ucrânia foi declarado suspeito de "lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa", informou na segunda-feira (16) o Gabinete Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU) e a Procuradoria Especializada Anticorrupção (SAP).

Acusações contra o ex-ministro de Zelensky

Segundo a investigação, em fevereiro de 2021 foi registrado, na ilha de Anguilla, território ultramarino do Reino Unido, um fundo criado por iniciativa de integrantes da quadrilha descoberta pelo NABU e pela SAP em novembro de 2025. A estrutura teria como objetivo atrair cerca de US$ 100 milhões em "investimentos".

As autoridades afirmaram que o fundo era administrado por uma pessoa ligada à quadrilha, cidadão das Seychelles e de São Cristóvão e Névis, que prestava serviços de lavagem de dinheiro.

Para ocultar o envolvimento de Galuschenko, foram criadas duas empresas nas Ilhas Marshall, integradas à estrutura de um fundo fiduciário registrado em São Cristóvão e Névis. Os beneficiários eram a ex-mulher e os quatro filhos do ex-ministro.

"Estas empresas tornaram-se 'investidoras' no fundo (ao adquirirem as suas quotas), e os membros da organização criminosa começaram a transferir fundos para as contas do fundo abertas em três bancos suíços em benefício do suspeito", informaram o NABU e a SAP.

Dados obtidos na Ucrânia e por cooperação internacional indicam que, entre 2021 e 2025, a organização recebeu mais de US$ 112 milhões em dinheiro vivo (cerca de R$ 586,88 milhões) proveniente de atividades ilegais no setor de energia.

Esses recursos teriam sido lavados por diferentes instrumentos financeiros, incluindo criptomoedas e investimentos no próprio fundo.