Realizar em Cuba uma operação semelhante à que culminou no sequestro do presidente Nicolás Maduro, em Caracas, não é "necessário", afirmou nesta segunda-feira (16) o presidente dos EUA, Donald Trump.
"Não seria uma operação muito difícil, como você pode imaginar, mas não acredito que seja necessário", declarou a jornalistas a bordo do Air Force One, após ser questionado se consideraria uma intervenção militar na ilha caso não se chegasse a um acordo.
Na mesma ocasião, o mandatário fez uma advertência contra governo cubano e sugeriu que as autoridades do país devem chegar a um acordo rapidamente.
"Cuba é neste momento um Estado falido e sequer tem combustível de aviação para que os aviões decolem. Estão bloqueando sua pista de pouso. Estamos conversando com Cuba neste momento e eles definitivamente deveriama chegar a um acordo porque se trata de uma ameaça humanitária", declarou a jornalistas a bordo do Air Force One.
"Enquanto isso, há um embargo, não há petróleo, não há dinheiro, não há nada", acrescentou.
No dia 29 de janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva declarando "emergência nacional" diante da suposta "ameaça incomum e extraordinária" que, segundo Washington, Cuba representaria para a segurança do país norte-americano e da região. O texto acusa o governo cubano de se alinhar com "numerosos países hostis", de acolher "grupos terroristas transnacionais", como o Hamas e o Hezbollah, e de permitir o desdobramento na ilha de "sofisticadas capacidades militares e de inteligência" da Rússia e da China.
Com base nisso, foi anunciado a imposição de tarifas aos países que vendam petróleo à nação caribenha, além de ameaças de represálias contra aqueles que atuem em desacordo com a ordem executiva da Casa Branca. Posteriormente, o mandatário reconheceu que seu governo mantém contatos com Havana e indicou que pretende chegar a um acordo, embora tenha classificado o país caribenho como "nação em decadência" que "já não conta com a Venezuela" para se sustentar.
Essas declarações ocorrem em meio ao bloqueio econômico e comercial mantido pelos EUA contra Cuba há mais de seis décadas. O embargo, que afeta gravemente a economia do país, foi agora reforçado com numerosas medidas coercitivas e unilaterais por parte da Casa Branca.
"Cuba é uma nação livre, independente e soberana. Ninguém nos dita o que fazer. Cuba não agride, é agredida pelos EUA há 66 anos, e não ameaça, prepara-se, disposta a defender a pátria até a última gota de sangue", afirmou o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel.
"Essa nova medida evidencia a natureza fascista, criminosa e genocida de uma camarilha que sequestrou os interesses do povo norte-americano com fins puramente pessoais", declarou o mandatário. Todas as acusações infundadas de Washington foram rejeitadas sistematicamente por Havana, que advertiu que defenderá sua integridade territorial.