Hungria e Eslováquia criticam Kiev e dão novo passo para importar petróleo russo

Budapeste acusou o regime de Kiev de colocar em risco a segurança do fornecimento de petróleo ao seu país e à Eslováquia por razões políticas.

A Hungria e a Eslováquia solicitaram à Croácia autorização para transportar petróleo russo por meio do oleoduto Adria, em meio a críticas a Kiev pela interrupção do trânsito pelo sistema Druzhba. A informação foi divulgada pelo ministro das Relações Exteriores húngaro, Peter Szijjarto.

Szijjarto e a ministra da Economia eslovaca, Denisa Sakova, enviaram uma carta conjunta ao ministro da Economia e Desenvolvimento Sustentável da Croácia, Ante Susnjar. O chanceler húngaro afirmou que a Ucrânia "se recusa a retomar o trânsito de petróleo pelo oleoduto Druzhba por razões políticas".

Ele também lembrou que Hungria e Eslováquia contam com uma isenção das sanções europeias contra a Rússia que lhes permite importar petróleo por via marítima, caso o transporte por oleoduto não seja viável.

"A segurança do abastecimento energético de um país nunca deve ser uma questão ideológica. Portanto, esperamos que a Croácia, ao contrário da Ucrânia, não coloque em risco o fornecimento de petróleo à Hungria e à Eslováquia por razões políticas", escreveu Szijjarto na rede social X.

"Chantagem política"

Por sua vez, o primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, declarou no domingo (15), em entrevista coletiva, que enxerga "o que está acontecendo em torno do petróleo como uma chantagem política contra a Hungria por sua posição inflexível em relação à adesão da Ucrânia à União Europeia".

Segundo ele, "quando a Hungria é ameaçada no que diz respeito ao petróleo, a Eslováquia também é, porque a Hungria compra todo o petróleo para a refinaria eslovaca". "A refinaria de Bratislava pertence à empresa húngara MOL", ressaltou.