Pesquisa indica que Bad Bunny representa mais os EUA do que Trump

Levantamento realizado após o espetáculo no Super Bowl aponta impacto da apresentação marcada por referências à memória, identidade e pertencimento latino.

Mais norte-americanos afirmam que Bad Bunny representa melhor os Estados Unidos do que o próprio presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. É o que indica uma pesquisa Yahoo/YouGov realizada entre segunda-feira (9) e quinta-feira (12), logo após a apresentação do artista no intervalo do Super Bowl.

Segundo o levantamento, 42% dos entrevistados disseram que o cantor porto-riquenho representa melhor a América, enquanto 39% escolheram Trump. 

A diferença é ainda maior entre os chamados independentes, eleitores que não se identificam nem com o Partido Democrata nem com o Partido Republicano e que costumam ter peso decisivo em eleições no país. Nesse grupo, 46% apontaram Bad Bunny como melhor representante, contra 27% que citaram o presidente dos Estados Unidos.

A pesquisa foi conduzida imediatamente após o espetáculo realizado no domingo (8), em Santa Clara, na Califórnia. Após a apresentação, Trump criticou o show em sua rede Truth Social.

"O show do intervalo do Super Bowl é absolutamente terrível, um dos piores de todos os tempos!", escreveu. "Não faz sentido, é uma afronta à Grandeza da América e não representa nossos padrões de Sucesso, Criatividade ou Excelência. Ninguém entende uma palavra do que esse cara está dizendo". 

Apesar das declarações, os dados indicam avaliação distinta entre os entrevistados. De forma geral:

• Bad Bunny
43% têm visão favorável
36% têm visão desfavorável

• Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
39% têm avaliação favorável
58% têm avaliação desfavorável

A reação ao show evidenciou divisão partidária.

Entre democratas, 78% disseram ver o cantor de forma favorável, contra 7% que expressaram opinião negativa. Entre republicanos, 12% afirmaram ter visão favorável e 70%, desfavorável.

O levantamento apontou ainda que quase metade (47%) dos norte-americanos assistiram à apresentação. Entre democratas e independentes alinhados ao Partido Democrata, 61% acompanharam o espetáculo. Já entre republicanos e independentes alinhados ao Partido Republicano, 23% disseram ter assistido.

Entre os que viram o show, 65% afirmaram ter gostado da performance e 66% aprovaram o fato de o artista ter cantado integralmente em espanhol.

A apresentação 

Bad Bunny tornou-se o primeiro artista latino a se apresentar solo no intervalo do Super Bowl. No Levi’s Stadium, levou ao gramado referências à cultura de Porto Rico, combinando reggaeton, salsa e baladas em um repertório que incluiu "Tití Me Preguntó", "Yo Perreo Sola", "VOY a LLeVARTE PA PR" e "Eoo".

Lady Gaga participou em "Die with a Smile", em versão com ritmo caribenho, e os dois cantaram juntos "BAILE INoLVIDABLE". A cantora, que ao longo dos anos se posicionou em defesa de comunidades latinas e de imigrantes nos Estados Unidos, é vista como aliada em pautas ligadas à diversidade cultural e à inclusão.

Ricky Martin também integrou a apresentação ao interpretar um trecho de "LO QUE LE PASÓ A HAWAii", simbolizando a importância de reconhecer e honrar artistas latinos que abriram caminho no mercado norte-americano e internacional antes da nova geração.

Ao longo de cerca de 15 minutos, o espetáculo dialogou com o álbum "DeBÍ TiRAR MáS FOToS", projeto centrado em temas como memória, identidade e pertencimento.

Ao final, Bad Bunny declarou: "Deus salve a América", antes de citar países da América do Norte, Central e do Sul. Um letreiro exibiu a frase "A única coisa mais poderosa que o ódio é o amor", enquanto bandeiras de diferentes nações apareceram no campo. A bola utilizada na apresentação trazia a inscrição "Juntos somos a América".

Segundo a pesquisa, 60% dos entrevistados disseram aprovar a mensagem final do artista, enquanto 16% afirmaram desaprovar.

O levantamento ouviu 1.704 adultos norte-americanos online e tem margem de erro de aproximadamente três pontos percentuais.