Merz quer Brasil como 'parceiro estratégico' da União Europeia

Poucos meses após protagonizar uma crise diplomática com o Brasil por declarações sobre Belém, o chanceler alemão volta a mencionar o país como potencial "parceiro estratégico" da União Europeia.

O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, defendeu que a União Europeia construa parcerias robustas com países como Turquia, Índia e Brasil. A declaração foi feita durante a Conferência de Segurança de Munique, realizada sexta-feira (13).

Segundo o portal turco Yeni Şafak, o chanceler reconheceu, durante seu discurso, a importância da integração mais profunda entre países do bloco, além da importância das relações entre Washington e Bruxelas. No entanto, sustentou que tais eixos já não são suficientes para enfrentar os complexos desafios econômicos e de segurança da atualidade.

"Precisamos estabelecer uma forte rede de parcerias globais", afirmou o chanceler, ao citar Canadá, Japão, Turquia, Índia, Brasil, África do Sul e Estados do Golfo como parceiros estratégicos em potencial.

Ele ressaltou que a cooperação deve ser construída com base no respeito mútuo e em uma perspectiva de longo prazo, concentrando-se em interesses comuns e evitando a criação de novas dependências. "Isso evitaria dependências e riscos e, ao mesmo tempo, abriria oportunidades e possibilidades para ambos os lados", prosseguiu.

"Compartilhamos um interesse fundamental em uma ordem política na qual possamos confiar nos acordos e na qual sejamos capazes de enfrentar problemas globais juntos", declarou.

Memória curta?

Nos últimos meses, o Merz esteve no centro de um mal-estar diplomático com o Brasil após comentários considerados desdenhosos sobre a COP30. Em novembro de 2025, Merz afirmou, que membros de sua delegação haviam ficado aliviados por deixar Belém, sede da cúpula climática, insinuando que ninguém queria permanecer no Brasil depois do evento. 

A repercussão política chegou ao mais alto nível. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que Merz "deveria passar mais tempo no Brasil para ver que é um lugar muito bom". O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, foi além e classificou o chanceler alemão como "filhote de Hitler vagabundo, nazista", ampliando a crise.