Brasileira sonâmbula acusa sobrinho de bilionário mexicano de estupro após ser achada em seu quarto

Valéria possui um laudo médico, indicando lesões sexuais, e enfrentará uma das famílias mais poderosas do México; a defesa afirma que ela entrou voluntariamente, possivelmente embriagada, e que os sinais de penetração podem ser decorrência de relação anterior.

Uma jovem brasileira, que sofre de sonambulismo desde os seis anos de idade, acordou em um quarto de hotel em San Luis Potosí, no México, com um homem que não conhecia e com ferimentos compatíveis com estupro, informou o jornal El País no domingo (15).

O acusado, Guillermo Baeza, é sobrinho de um dos homens mais ricos do México, Eugenio Baeza, fundador do Grupo Bafar. Os advogados da vítima alegam cumplicidade entre o acusado e o governo estadual.

As circunstâncias do caso

No dia 28 de setembro de 2025, às 5h04, câmeras do Hotel Hyatt em San Luis Potosí registraram Valéria, de 28 anos, saindo de seu quarto no sexto andar. As imagens mostram que ela percorreu o corredor, bateu em várias portas até que a do quarto 616 se abriu.

Um homem, visto antes observando por essa porta, a chamou. Valéria entrou no quarto 616 às 5h07 e a porta se fechou. O quarto pertencia a Guillermo Baeza Prado, de 27 anos, sobrinho de Eugenio Baeza, fundador do Grupo Bafar.

Cerca de uma hora e cinquenta minutos depois, o gerente do hotel, a segurança e o namorado de Valéria chegaram ao local em caráter de urgência. A jovem relatou ter acordado no quarto 616, desorientada, sem saber onde estava nem quem era o homem de cueca presente.

Ela estava parcialmente despida, cobriu-se com um lençol e voltou chorando ao seu quarto. Ao se olhar no espelho, percebeu a roupa íntima invertida e entrou em pânico.

Valéria tem diagnóstico de sonambulismo desde a infância e, mais recentemente, de crises epilépticas com perda de consciência. Ela possui laudos médicos que apontam lesões sexuais e estresse pós-traumático compatível com agressão sexual, documentos que usará contra o acusado. Até a publicação da reportagem, nem Guillermo Baeza Prado nem o Grupo Bafar se manifestaram.

O que diz a defesa do suposto agressor? 

Os advogados da vítima alegam ligação entre o acusado e o governo estadual, especialmente após a Procuradoria decidir não apresentar queixa-crime contra Baeza.

A defesa do acusado, conduzida pelo escritório Torsa Abogados — ligado à Secretaria de Governo de San Luis Potosí, Guadalupe Torres Sánchez, e à Procuradoria do estado — pede o arquivamento do caso por falta de provas.

Para explicar a presença de Valéria no quarto e as lesões, a defesa afirma que ela entrou voluntariamente, possivelmente embriagada, e que os sinais de penetração podem decorrer de relação anterior. Destaca ainda a ausência de sêmen no laudo.

Contudo, o Código Penal mexicano não exige violência ou ejaculação para caracterizar estupro, especialmente quando a vítima não pode consentir. Laudos psiquiátricos indicam que Valéria, durante episódio de sonambulismo, não tinha condições de compreender o ato ou resistir, invalidando qualquer consentimento.