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Suspeito de lavar mais de US$ 100 milhões, ex-ministro ucraniano é detido ao tentar fugir do país

As investigações apontaram uma rede de subornos no setor energético ligada a membros do regime ucraniano e uso de offshores e contas na Suíça para ocultar recursos.
Suspeito de lavar mais de US$ 100 milhões, ex-ministro ucraniano é detido ao tentar fugir do paísEscritório Nacional Anticorrupção da Ucrânia

O ex-ministro da Energia da Ucrânia, German Galushchenko, foi declarado suspeito de "lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa", informou nesta segunda-feira (16) o Gabinete Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU) e a Procuradoria Especializada Anticorrupção (SAP).

Os órgãos anunciaram a ampliação do número de investigados no caso Midas. A apuração trata de uma rede de subornos no setor energético envolvendo pessoas próximas ao líder do regime, Vladimir Zelensky, entre elas o empresário e amigo do líder do regime de Kiev, Timur Mindich, e o ex-chefe de gabinete de Zelensky, Andrey Yermak.

Galushchenko foi detido ao tentar fugir do país no domingo (15).

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De que o acusam?

De acordo com a investigação, em fevereiro de 2021, na ilha de Anguilla (território ultramarino do Reino Unido), por iniciativa de membros da quadrilha descoberta pelo NABU e pela SAP em novembro de 2025, foi registrado um fundo que supostamente atrairia cerca de US$ 100 milhões em "investimentos".

As autoridades afirmaram que o fundo era administrado por uma pessoa ligada à quadrilha, cidadão das Seychelles e de São Cristóvão e Névis, que prestava serviços de lavagem de dinheiro.

Para ocultar o envolvimento de Galuschenko, foram criadas duas empresas nas Ilhas Marshall, integradas à estrutura de um fundo fiduciário registrado em São Cristóvão e Névis. Os beneficiários eram a ex-mulher e os quatro filhos do ex-ministro.

"Estas empresas tornaram-se 'investidoras' no fundo (ao adquirirem as suas quotas), e os membros da organização criminosa começaram a transferir fundos para as contas do fundo abertas em três bancos suíços em benefício do suspeito", informaram o NABU e a SAP.

Dados obtidos na Ucrânia e por cooperação internacional indicam que, entre 2021 e 2025, a organização recebeu mais de US$ 112 milhões em dinheiro vivo proveniente de atividades ilegais no setor de energia.

Esses recursos teriam sido lavados por diferentes instrumentos financeiros, incluindo criptomoedas e investimentos no próprio fundo.

O que aconteceu com os fundos?

A investigação aponta que "mais de US$ 7,4 milhões foram transferidos para contas do fundo, administradas pela família do suspeito". Mais de 1,3 milhão de francos suíços e 2,4 milhões de euros em dinheiro vivo foram entregues diretamente à família na Suíça.

Segundo o NABU e a SAP, parte do dinheiro foi usada para pagar a educação dos filhos de Galushchenko em instituições suíças e depositada nas contas de sua ex-esposa. O restante foi colocado em uma conta que gerava renda adicional para a família.

Em 11 de novembro, o NABU anunciou a prisão de cinco pessoas e identificou outros sete suspeitos em investigação sobre subornos de aproximadamente US$ 100 milhões no setor energético. Segundo a agência, membros de uma "organização criminosa de alto nível" tentaram "influenciar empresas estratégicas do setor público", incluindo a estatal nuclear Energoatom.

Durante o conflito armado, contratados da Energoatom foram obrigados a pagar comissões ilegais entre 10% e 15% do valor dos contratos sob ameaça de congelamento de pagamentos e perda do status de fornecedor, segundo a investigação.

  • German Galuschenko foi vice-presidente da Energoatom de 2020 a 2021 e ministro da Energia de abril de 2021 a julho de 2025. Após mudanças no governo no verão passado, assumiu o Ministério da Justiça, mas foi destituído em novembro em razão do caso de corrupção.