Confira detalhes do desfile da escola de samba que homenageou Lula

A Acadêmicos de Niterói fez sua estreia no Grupo Especial do Carnaval com um enredo que abordou impeachment de Dilma, Bolsonaro retratado como palhaço e críticas aos "neoconservadores", incluindo evangélicos, em uma representação carnavalesca que dividiu opiniões.

A Acadêmicos de Niterói fez sua estreia no Grupo Especial do Carnaval do Rio, no domingo (15) com o enredo "Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil", uma homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A apresentação gerou controvérsias ao abordar temas políticos sensíveis, como o impeachment de Dilma Rousseff, a ascensão de Michel Temer e a representação do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Bolsonaro preso

Um dos pontos mais comentados do desfile foi a alusão ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Em um dos carros alegóricos, Bolsonaro foi representado como um palhaço, caracterizado com um terno azul, uma referência ao apelido "Bozo" utilizado por seus críticos.

No quarto carro, a alegoria apresentou um palhaço em um uniforme de presidiário, com tornozeleira eletrônica, fazendo referência ao episódio de novembro de 2025, quando Bolsonaro usou tornozeleira eletrônica. A imagem gerou reações por parte de seus apoiadores e críticos.

Impeachment de Dilma e ascensão de Temer

O desfile também abordou o impeachment de Dilma Rousseff, um tema controverso para muitos. Em um dos carros, bonecos representando Dilma Rousseff e Michel Temer retratavam o momento da posse da ex-presidente e a posterior ascensão de Temer ao cargo.

Temer foi mostrado assumindo a faixa presidencial de Dilma, o que para alguns representa a narrativa de golpe defendida por figuras do PT.

O enredo reforçou a posição do partido de que Dilma foi destituída de forma ilegítima, uma visão que divide opiniões no país.

Crítica aos "neoconservadores em conserva"

Outra ala que gerou debate foi a "Neoconservadores em conserva", que criticou grupos opositores ao governo Lula. A ala trouxe figuras como representantes do agronegócio, evangélicos, defensores da ditadura militar e uma mulher de classe alta, todos representados dentro de uma lata de conserva. A crítica visava, segundo a escola, aqueles que se opõem ao governo atual, como no caso da agenda de privatizações e propostas trabalhistas.

A alegoria com os evangélicos gerou críticas de alguns setores, como a senadora Damares Alves, que considerou a representação uma ridicularização do grupo religioso.

O desfile destacou essas figuras como parte de um "pacote" que se opõe ao governo e aos avanços defendidos pelo PT.

Presença de Lula e ausência de Janja 

Lula esteve presente no desfile, acompanhando a apresentação do camarote da Prefeitura do Rio, ao lado de aliados como o vice-presidente Geraldo Alckmin e o prefeito Eduardo Paes.

No entanto, a primeira-dama Janja, que seria destaque no último carro alegórico da escola, desistiu de participar do desfile. De acordo com informações, Janja optou por não se apresentar para evitar interpretações que poderiam associar sua presença a uma campanha eleitoral antecipada. Ela permaneceu no camarote durante a apresentação.

Reações jurídicas e políticas

O enredo de homenagem a Lula não passou despercebido politicamente. O partido Novo criticou o desfile e entrou com uma representação no TCU (Tribunal de Contas da União) pedindo que o repasse de recursos públicos para a escola fosse suspenso.

A área técnica do tribunal recomendou a suspensão, mas a decisão final foi favorável à Acadêmicos de Niterói, permitindo que a escola recebesse o apoio financeiro da Embratur (Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo).

Além disso, o deputado Kim Kataguiri (União Brasil-SP) e outros opositores tentaram barrar o desfile, mas as liminares solicitadas foram negadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).