Irã afirma que Rússia e China oferecem 'grande apoio' em meio a tensões com o Ocidente

Secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani, acusou países ocidentais de tentar "semear discórdia" entre Teerã, Moscou e Pequim.

O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, afirmou que Rússia e China oferecem "grande apoio" ao país em diversas áreas políticas e acusou o Ocidente de tentar "semear discórdia" entre Teerã, Moscou e Pequim. A declaração foi dada em entrevista à Al Jazeera.

"Vemos que Rússia e China nos oferecem um grande apoio em diversas esferas políticas", disse Larijani. Segundo ele, "foram Rússia e China que apoiaram firmemente o Irã e o defenderam no Conselho de Segurança [da ONU]. Não a Alemanha, o Reino Unido nem a França". Ele concluiu: "[Os países ocidentais] estão tentando semear discórdia entre nós, Rússia e China".

Programa nuclear

As declarações ocorrem em meio ao aumento das hostilidades dos Estados Unidos contra o Irã, intensificadas no início de janeiro. Na ocasião, o presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou intervir militarmente no país, citando episódios de violência durante protestos antigovernamentais. Após o fim das manifestações, Washington manteve a pressão, direcionando o discurso aos programas nuclear e de mísseis de Teerã.

A Rússia tem defendido o direito do Irã de desenvolver seu programa nuclear para fins pacíficos. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, declarou anteriormente que Moscou e Pequim entendem que o Irã, como qualquer país, "pode e deve determinar sua própria estratégia para o desenvolvimento da energia nuclear em conformidade com o direito internacional", especialmente de acordo com o Tratado de Não Proliferação Nuclear.

Moscou também denunciou na ONU que o Ocidente mentiu sobre o programa nuclear iraniano para justificar uma agressão em junho de 2025. O representante permanente da Rússia na ONU, Vassily Nebenzia, afirmou: "Em nenhuma parte dos relatórios da AIEA [Agência Internacional de Energia Atômica] se menciona a conversão do material nuclear acumulado na República Islâmica do Irã para fins não declarados e militares. Em outras palavras, a AIEA não registra nenhum indício de criação de armas nucleares por parte do Irã".

Após a recente escalada, o Kremlin pediu moderação e que se evite o uso da força na situação envolvendo o Irã. "Qualquer ação de força só pode criar caos na região e ter consequências muito perigosas", advertiu.