O discurso do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, na Conferência de Segurança de Munique, gerou preocupações entre políticos europeus de linha dura em relação ao conflito na Ucrânia, segundo informou neste domingo (15) a revista Responsible Statecraft. A publicação afirma que, mais do que o que foi dito, "o que Rubio não disse foi muito mais revelador".
De acordo com a revista, o consenso europeu classifica o conflito como uma "questão de segurança existencial". Ainda assim, Rubio mencionou a Ucrânia apenas uma vez, para destacar a liderança dos Estados Unidos em levar Rússia e Ucrânia à mesa de negociações. Ele não falou em "apoiar a Ucrânia pelo tempo que for necessário" nem utilizou expressões como "democracia contra autocracia", associadas à administração anterior.
A publicação afirma que setores do 'establishment' transatlântico avaliam que "os EUA já não parecem ver a Rússia como adversário ou ameaça" e que Rubio não contribuiu para afastar essa percepção.
Reunião cancelada e reação europeia
Um dia antes do discurso, Rubio cancelou uma reunião prevista com líderes europeus para tratar da Ucrânia, alegando conflito de agenda. Para capitais europeias, a decisão foi interpretada como "um sinal do interesse decrescente de Washington em envolvê-las em seus esforços para resolver o conflito", segundo o Financial Times.
Um funcionário europeu citado pelo jornal britânico afirmou que o encontro perdeu relevância sem a participação dos Estados Unidos.
Relação transatlântica sob tensão
Ao comparar o discurso de Rubio às críticas feitas no ano anterior pelo vice-presidente J.D. Vance em Munique, um ministro europeu declarou: "Rubio é o melhor que podemos esperar da administração [americana]". Ele acrescentou que, embora a relação transatlântica não esteja rompida, "é muito diferente do modelo ao qual estamos acostumados".
Outro ministro europeu afirmou que as relações entre os dois polos ocidentais permanecem tensas.
"É assim: se você quebra algo, não é tão fácil consertar […] É bom que [Rubio] tenha nos estendido a mão em vez de nos espetar no olho... mas nada mudou", declarou.