Kaja Kallas rebate EUA e diz que 'Europa woke' não enfrenta 'desaparecimento de sua civilização'

Chefe da diplomacia da União Europeia reagiu a menções feitas na Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos e defendeu atratividade do bloco europeu.

A alta representante da União Europeia para Assuntos Exteriores e Política de Segurança, Kaja Kallas, respondeu às críticas dos Estados Unidos sobre um suposto declínio dos valores europeus e afirmou que o continente não está à beira de um colapso civilizacional. A declaração foi feita neste domingo (15), durante a Conferência de Segurança de Munique.

"Ao contrário do que alguns podem dizer, a 'Europa woke e decadente' não está enfrentando um apagamento civilizacional", declarou Kallas.

A diplomata sustentou que o projeto europeu mantém seu poder de atração e destacou que há países interessados em integrar o bloco.

"Quando estive no Canadá no ano passado, me disseram que mais de 40% dos canadenses estão interessados em se juntar à União Europeia", afirmou, acrescentando que "a lista de espera é bastante longa".

Estratégia dos EUA e críticas à Europa

Na versão mais recente da Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Washington afirma que a Europa enfrenta um possível "desaparecimento de sua civilização", atribuindo o cenário a décadas de declínio econômico, erosão de princípios democráticos, imigração e fracassos políticos e culturais.

O documento também critica o que classifica como "ideologias de ''mudança climática'" e abordagens consideradas contrárias à liberdade de expressão.

Em 2025, o vice-presidente norte-americano J.D. Vance apresentou críticas semelhantes a Bruxelas durante discurso em Munique. Já em 2026, o secretário de Estado, Marco Rubio, evitou ataques diretos, mas fez observações críticas à Europa ao mesmo tempo em que defendeu o fortalecimento da aliança transatlântica.

Debate sobre liberdade de imprensa

Kallas também comentou acusações relacionadas à liberdade de imprensa.

"Vindo de um país que ocupa o segundo lugar no Índice de Liberdade de Imprensa, é interessante ouvir críticas sobre liberdade de imprensa provenientes de um país que ocupa a posição 58 nessa lista", declarou, referindo-se à Estônia e aos Estados Unidos.