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Kaja Kallas rebate EUA e diz que 'Europa woke' não enfrenta 'desaparecimento de sua civilização'

Chefe da diplomacia da União Europeia reagiu a menções feitas na Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos e defendeu atratividade do bloco europeu.
Kaja Kallas rebate EUA e diz que 'Europa woke' não enfrenta 'desaparecimento de sua civilização'AP / Michael Probst

A alta representante da União Europeia para Assuntos Exteriores e Política de Segurança, Kaja Kallas, respondeu às críticas dos Estados Unidos sobre um suposto declínio dos valores europeus e afirmou que o continente não está à beira de um colapso civilizacional. A declaração foi feita neste domingo (15), durante a Conferência de Segurança de Munique.

"Ao contrário do que alguns podem dizer, a 'Europa woke e decadente' não está enfrentando um apagamento civilizacional", declarou Kallas.

A diplomata sustentou que o projeto europeu mantém seu poder de atração e destacou que há países interessados em integrar o bloco.

"Quando estive no Canadá no ano passado, me disseram que mais de 40% dos canadenses estão interessados em se juntar à União Europeia", afirmou, acrescentando que "a lista de espera é bastante longa".

Estratégia dos EUA e críticas à Europa

Na versão mais recente da Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Washington afirma que a Europa enfrenta um possível "desaparecimento de sua civilização", atribuindo o cenário a décadas de declínio econômico, erosão de princípios democráticos, imigração e fracassos políticos e culturais.

O documento também critica o que classifica como "ideologias de ''mudança climática'" e abordagens consideradas contrárias à liberdade de expressão.

Em 2025, o vice-presidente norte-americano J.D. Vance apresentou críticas semelhantes a Bruxelas durante discurso em Munique. Já em 2026, o secretário de Estado, Marco Rubio, evitou ataques diretos, mas fez observações críticas à Europa ao mesmo tempo em que defendeu o fortalecimento da aliança transatlântica.

Debate sobre liberdade de imprensa

Kallas também comentou acusações relacionadas à liberdade de imprensa.

"Vindo de um país que ocupa o segundo lugar no Índice de Liberdade de Imprensa, é interessante ouvir críticas sobre liberdade de imprensa provenientes de um país que ocupa a posição 58 nessa lista", declarou, referindo-se à Estônia e aos Estados Unidos.

  • Após o início do conflito entre Rússia e Ucrânia, em fevereiro de 2022, países ocidentais adotaram medidas restritivas contra veículos russos como RT e Sputnik. Em 2 de março de 2022, as transmissões da RT foram proibidas na União Europeia, permanecendo bloqueadas na televisão e em plataformas online em países como Estados Unidos e Canadá.
  • Em setembro de 2024, Washington anunciou sanções contra o grupo midiático Rossiya Segodnya, além da RT, RIA Novosti, Sputnik e Ruptly. As autoridades norte-americanas acusaram os veículos e indivíduos citados de promover "esforços de influência maligna" relacionados às eleições presidenciais de 2024 nos Estados Unidos. As alegações foram rejeitadas por Moscou.