O presidente de Gana, John Dramani Mahama apresentará uma resolução para a Assembleia Geral das Nações Unidas em março, para reconhecer tráfico humano transatlântico como o crime mais grave contra a humanidade, segundo informou neste domingo (15) a mídia estatal, citando um comunicado da Presidência. O documento revela que a resolução correspondente foi adotada pela União Africana (UA), abrindo caminho para sua submissão ao órgão internacional.
Mahama, que atua como Campeão da União Africana para a Promoção da Justiça e o Pagamento de Reparações, afirmou que "os povos de descendência africana têm esperado por este dia", destacando que a base jurídica e o imperativo moral da iniciativa são inquestionáveis.
Ele apresentou o plano durante a 39ª Cúpula dos Chefes de Estado e de Governo da UA, reforçando que o projeto faz parte de um esforço contínuo para colocar a agenda africana de reparações no centro do debate global.
O presidente informou ainda sobre os avanços na criação de estruturas continentais para coordenar ações de reparações, incluindo uma equipe de coordenação, um comitê de especialistas e um grupo de juristas encarregado de fornecer orientação técnica e legal.
Segundo Mahama, a designação de 2025 como o "Ano da Justiça para os Africanos por meio das Reparações" representou um passo estratégico, marcando uma mudança real na busca de compensações pelos legados da escravidão, do colonialismo e do apartheid.
A proposta que será apresentada em Nova York marca um momento histórico na luta africana por reconhecimento e reparação das injustiças históricas. Mahama conclamou os países-membros da UA a criarem comissões nacionais de reparações e a se engajarem diretamente com as nações historicamente envolvidas no tráfico de escravos.
"A justiça reparatória não será concedida — deve ser conquistada com determinação e unidade", declarou o presidente ganês.