
Muitos aliados dos EUA 'não gostaram' do ataque à Venezuela, declara Rubio

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, defendeu neste domingo (15) o ataque militar de Washington à Venezuela em 3 de janeiro, embora tenha reconhecido que até aliados muitos próximos do país reprovaram a operação.
"Muitos países não gostaram do que fizemos na Venezuela. Tudo bem. Foi em nome do nosso interesse nacional", declarou Rubio em uma coletiva de imprensa conjunta com o primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico.

Sugerindo que a recíproca é verdadeira e que outros países tomaram decisões ao desagrado de Washington, o secretário americano considerou a reprovação ao ataque como um elemento constitutivo das relações internacionais, indicando que essa postura não impede que esses países ainda engajem com os EUA em parcerias, cooperações e negociações.
"Os países expressam constantemente suas opiniões. Temos aliados muito próximos que entendem isso", explicou.
O bombardeio no território venezuelano e o sequestro do presidente Nicolás Maduro foram descritos por Rubio como "um sucesso", exaltando a condução do país latino-americano sob a tutela americana, um "projeto" do qual se orgulha. Contudo, ele reconheceu que "ainda há muito a ser feito" no país.
Agressão dos EUA e sequestro de Maduro
Sob alegações "combate o narcoterrorismo", os EUA lançaram, no dia 3 de janeiro, uma agressão militar maciça em território venezuelano, que afetou Caracas e os estados de Miranda, Aragua e La Guaira.
A operação terminou com o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores, que foram levados para Nova York. Os locais atacados eram principalmente de interesse militar, embora também tenham sido atingidas áreas urbanas e houvesse vítimas civis.
Caracas classificou as ações de Washington como uma "grave agressão militar" e alertou que o objetivo dos ataques "não é outro senão apoderar-se dos recursos estratégicos da Venezuela, em particular do seu petróleo e minerais, tentando quebrar pela força a independência política da nação".
Muitos países do mundo, entre eles a Rússia e a China, pediram a libertação de Maduro e sua esposa. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou que a Venezuela deve ter garantido o direito de decidir seu destino sem qualquer intervenção externa.
Além disso, Trump e outros altos funcionários de sua administração reivindicaram o controle unilateral da indústria petrolífera venezuelana por um período "indefinido", após afirmarem que somente Washington autorizará a venda de petróleo bruto do país sul-americano.

