Presidente do governo da Espanha pede fim do rearmamento nuclear: 'Por favor'

Pedro Sánchez afirmou que a retomada da corrida nuclear é "um erro histórico" e cobrou negociações entre potências atômicas. "O rearmamento de que o mundo mais precisa com urgência é um rearmamento moral", afirmou ele durante a Conferência de Segurança de Munique.

O presidente do governo da Espanha, Pedro Sánchez, pediu neste sábado (14) o fim do rearmamento nuclear e defendeu que as potências atômicas voltem à mesa de negociações para firmar um novo tratado START. A declaração foi feita durante a Conferência de Segurança de Munique.

"Por favor, parem o rearmamento nuclear. (...) Evitem o lançamento de uma nova corrida armamentista enquanto for possível. A humanidade lhes agradecerá para sempre e os julgará duramente se não o fizerem", afirmou.

Apelo por novo acordo

Sánchez defendeu que as potências nucleares devem "sentar, negociar e assinar um novo tratado START" que dê continuidade ao acordo de desarmamento estratégico recentemente expirado.

Segundo ele, a retomada da corrida nuclear "é um erro histórico" que não pode ser repetido, "especialmente hoje em dia, quando a inteligência artificial projeta uma sombra de incerteza sobre o mundo inteiro".

O presidente espanhol declarou que, embora a Espanha tenha triplicado os gastos com defesa e dobrado o número de militares destacados em missões da OTAN desde sua chegada ao poder, considera que "o rearmamento nuclear não é a forma correta" de garantir segurança.

Sánchez afirmou que as potências nucleares "esqueceram as lições do passado e estão ampliando seus arsenais nucleares mais uma vez" e disse que esses países gastam "mais de 11 milhões de dólares (R$ 57 milhões) por hora" nesse tipo de armamento.

Segundo o mandatário, "apenas os Estados Unidos investirão 946 bilhões de dólares (R$ 4,9 trilhões) em armas nucleares na próxima década", valor que, de acordo com ele, "bastaria para erradicar a extrema pobreza no mundo".

Fim de tratado entre Rússia e EUA

Pela primeira vez desde a década de 1970, duas grandes potências nucleares, Rússia e Estados Unidos, ficaram, no início de fevereiro, sem um tratado vigente de limitação nuclear, o que encerra, na prática, uma arquitetura de controle de armamentos construída ao longo de décadas.

O Novo START foi assinado em 2010 pelos então presidentes Dmitry Medvedev e Barack Obama e prorrogado por cinco anos, sem condições prévias, em fevereiro de 2021.

Em 6 de fevereiro, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, declarou que o controle de armamentos nucleares não pode mais se limitar a um esquema bilateral entre Washington e Moscou.

Ao mesmo tempo, Sánchez defendeu o fortalecimento da capacidade defensiva europeia "de forma coordenada e controlável".

"Construamos um verdadeiro exército europeu, não em dez anos, mas agora. A Espanha se somará com todos os recursos necessários", afirmou. O presidente também pediu o fortalecimento do sistema multilateral e concluiu: "O rearmamento de que o mundo mais precisa com urgência é um rearmamento moral".