
Pentágono usou ferramenta de IA durante ataque à Venezuela — WSJ

O modelo de IA Claude, da empresa Anthropic, foi utilizado pelo Pentágono durante a agressão militar contra a Venezuela em 3 de janeiro, em operação de sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro, revelou o jornal americano The Wall Street Journal na sexta-feira (13), citando fontes anônimas.
A implantação ocorreu por meio de uma parceria com a empresa de dados Palantir, fundada pelo bilionário Peter Thiel. Suas ferramentas são comumente usadas pelo Departamento de Guerra, seguindo a posição de seu secretário, Pete Hegseth, que defende a integração rápida da IA em todos os aspectos do trabalho militar.

O objetivo exato da utilização do modelo, implementado tanto durante a operação quanto no planejamento, não foi detalhado, mas se observa que o Exército dos EUA já o utilizou anteriormente para avaliar material de satélite ou de inteligência. Apesar da ausência de especificação, o uso do Claude destaca o grau capilarizado de incorporação da inteligência artificial nas atividades militares dos EUA.
Parceria balançada
A revelação, contudo, sublinhou a contradição do emprego do Claude em operação militar com os guias de uso da Anthropic, que proíbem expressamente que a ferramenta seja utilizada para facilitar violência, desenvolver armas ou realizar vigilância, provocando atritos com o governo americano.
"A Anthropic perguntou se o software deles foi usado na operação para capturar Maduro, o que causou preocupações reais em todo o Departamento de Guerra, sugerindo que eles poderiam não aprovar caso tivesse sido usado", teria dito um oficial, citado pelo jornal americano Axios.
"Qualquer empresa que coloque em risco o sucesso operacional de nossos combatentes em campo é uma com a qual precisamos reavaliar nossa parceria daqui para frente."
A Anthropic, por sua vez, nega ter feito tal contato questionando o uso do software na operação.
A empresa foi a primeira desenvolvedora de modelos de IA a ter seu sistema disponível nas plataformas classificadas do Departamento de Defesa, usadas para trabalhos mais sensíveis. Paralelamente às negociações conturbadas com o Pentágono, que incluem um contrato de US$ 200 milhões (cerca de R$ 1 bilhão), a empresa mantém seu foco comercial principal em aplicações práticas para negócios, respondendo por 40% dos gastos corporativos com IA, segundo pesquisa do banco britânico HSBC.
Agressão dos EUA e sequestro de Maduro
Sob alegações "combate o narcoterrorismo", os EUA lançaram, no dia 3 de janeiro, uma agressão militar maciça em território venezuelano, que afetou Caracas e os estados de Miranda, Aragua e La Guaira.
A operação terminou com o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores, que foram levados para Nova York. Os locais atacados eram principalmente de interesse militar, embora também tenham sido atingidas áreas urbanas e houvesse vítimas civis.
Caracas classificou as ações de Washington como uma "grave agressão militar" e alertou que o objetivo dos ataques "não é outro senão apoderar-se dos recursos estratégicos da Venezuela, em particular do seu petróleo e minerais, tentando quebrar pela força a independência política da nação".
Muitos países do mundo, entre eles a Rússia e a China, pediram a libertação de Maduro e sua esposa. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou que a Venezuela deve ter garantido o direito de decidir seu destino sem qualquer intervenção externa.

